Lisboa, Setúbal: igrejas & mosteiros
​​​​​​​This are some of the pictures I took in Évora in 2007, and in churches and monasteries in Lisbon (including Odivelas) and Setúbal in 2011 (Mosteiro de São Dinis, Mosteiro dos Jerónimos, Igreja e Museu Arqueológico do Carmo, Igreja da Conceição Velha, Igreja do Antigo Monastério de Jesus). Maria Estela Guedes and Ana Luisa Janeira don't appear (neither do I), but were present with me in some of these moments. 
For my book on the early-Modern Luso-Brazilian Encounters, see here. For a more recent paper, published in 2017 in Brazil and to appear also in the Marburg Journal of Religion this year (2019), see here
The pictures above include details from the frescos of Évora's painted houses, the axial portal of the Jerónimos Monastery, the portal and windows of the facade of the Conceição Velha, colunas torsas and azulejos in the interior of the Igreja de Jesus in Setúbal, the coat of arms of the House of Avis (with the famous baphomet). 
The following quotations are enlightening: 
"A caracterização destes círculos humanísticos mecenáticos carece ainda de investigação globalizante; estamos numa época de fulgor construtivo e de pomposo artifício, marcada por rotas artísticas convergentes mas heterogéneas, em que sob o naturalismo ornamental do eslito manuelino se colavam retrógradas tendências góticas, influências renascentistas ao italiano, contribuições platerescas, mudéjares e de retorno, orientalismos, indianismos, ao par de constantes viagens e aquisições às oficinas do Norte" (Vítor Serrão). 
"O nicho central tem uma base que excede o toro do arco inferior e é decorada com as asas fantasiadas de uma quimera que tem no peito um escudo formado por dois enrolamentos. A quimera agarra com cada mão uma ave fantástica que se confunde com as suas próprias asas... Sob a figuração Presépio, dois anjos em relevo pleno seguram o brasão de Portugal que tem o paquife e o campo fendidos, pois os monges jerónimos quebraram-nos em sinal de luto, quando lhes chegou a notícia da morte de D. Sebastião... voltando ao arco fundamental, vemos que o primeiro intercolúneo, o mais interior, é cheio com rosetas ou florões, enquanto os segundos e quartos o são por teorias contínuas de folhagens largas, algumas semelhantes a parras e intercaladas com cachos de uvas; outras parecem folhas de acanto... No portal dos Jerónimos D. Manuel não parece ter os braços tão compridos, mas é natural que o escultor tenha atenuado essa característica que era, na verdade, um defeito físico. O casal régio aparece representado como doador, do mesmo que muitas outras personalidades em pinturas, iluminuras ou vitrais do tempo. Esta forma escultórica foi consagrada por Claus Sluter, na Cartuxa de Dijon... Na Península Ibérica, no entanto, não há qualquer outra representação deste tipo em portais... Se D. Manuel e D. Maria se apresentam como guardiães do templo, são simultaneamente adoradores do Cristo Menino, e particularmente do sucesso de Belém, com o qual começou uma nova Era. Se o Nascimento do Salvador é o vértice superior do triângulo imaginário, mas aqui claramente desenhado, o Rei e a Rainha são os outros dois vértices desse todo. O triângulo assumiu na iconografia cristã um papel de relevo, associando-se sempre ao Espírito Santo. A localização e o sentido das figuras de D. Manuel I e da Rainha D. Maria têm claras afinidades com as de Filipe-o-Audaz e a de Margarida da Áustria. A principal diferença reside no facto de aqui os acompanhantes, S. Jerónimo e S. João Baptista, estarem mais junto dos seus protegidos e dentro da mesma edícula... Como a generalidade dos autores aceita, Nicolau Chanterene deve ter passado pela capital da Borgonha, etapa fundamental na progressão profissional de um escultor do final do gótico, tal a fama das obras de Claus Sluter..." (Pedro Dias). 
"O brasão da casa de Avis tem como timbre o baphomet dos Templários, que Fernando Pessoa traduz pelo monstrengo soberano sobre a coroa e o elmo; o escudo está caído e há um estridente barulho de guizos. Este é o quarto aspecto do brasão alusivo a tremendos mistérios, que para sempre ficarão soterrados" (António Telmo/Paulo Pereira). 
"... entre nós foram raras as igrejas dotadas de estatuária de vulto ou em relevo nas fachadas... a inclusão aí de esculturas ou relevos, isoladas ou em séries, ou ainda formando conjuntos historiados foi comum em quase todas as regiões da Europa, durante o período gótico. Em frança, um dos países onde este estilo mais se desenvolveu e se conservam algumas das mais notáveis construções do género, encontra-se fachadas e portais com uma grande componente escultórica em Chartres, Amiens, Reims e Notre Dame de Paris... Esta arte praticada por burguinhões, alemães e flamengos, liga-se intimamente aos grandes retábulos em madeira dourada e policromada que desde meados do séc. XV se íam levantando um pouco por toda Espanha. Muitos dos homens que praticaram arquitectura eram na verdade tracistas de retábulos ou mesmo escultores... João de Castilho viu de perto as obras que decorreram na Catedral de Sevilha onde trabalhou. Aí, tinha sido levantado o mais extraordinário dos retábulos tardo-góticos, o da capela-mor... João de Castilho formou-se nesta arte trazida pelos escultores e construtores nórdicos, depois iberizada e a que foi acrescentada a marca mudejár, visível nomeadamente nos alfices... nas escamas, nas filatérias... O tumulto do manuelino está ausente da generalidade das obras castilhanas..." (Pedro Dias). 
"Julgamos que a fachada da Conceição Velha é imediatamente posterior ao acabamento do portal sul de Belém e que o seu plano e direcção se tem de atribuir a João de Castilho"(Pedro Dias). 
"Um dos mais notáveis e insólitos conjuntos de azulejaria historiada do século XVIII encontra-se na nave da igreja do Convento de Jesús em Setúbal, reportando-se ao tema das litanias da Virgem... a fonte iconográfica é um livro devoto de gravuras já devidamente identificado... Rosa Mística é representada por um frade, deitado, da boca do qual nasce um tronco de roseira coroado por uma rosa da qual sai a imagem da Virgem e do Menino... a Turris Eburnea, com forma de urna com a Virgem e o Menino, 
é representada às costas de um elefante que espezinha o Dragão enquanto Cristo expulsa do Céu os anjos do Mal; ao longe vê-se a Torre de Babel simbolizando o desconcerto do mundo que a Mãe Sagrada vence... estes azulejos são o retrato preciso da sensibilidade barroca e da sua incessante busca de um concetto (neste caso, o das litanias) apto a ser decomposto e recomposto através da combinação de inúmeras fontes de inspiração, des a Bíblia à simbologia das plantas, passando pelo exotismo e pelo fantástico. Semelhante conjunto azulejar só encontra paralelismo temático e conográfico na Sala da Passagem do Convento das Mercês..." (Paulo Pereira). 
"Thus Blind Cupid started his career in rather terrifying company: he belonged to Night, Synagogue, Infidelity, Death and Fortune (the classical caeca Fortuna)... [he] shrank in size, was deprived of his garments and thus developed into the popular garzone or putto of Renaissance and Baroque art... [his] blindness had so precise a significance that his image could be changed from a personification of Divine Love to a personification of illicit Sensuality... The name of these Cupids is Legion" (Panofsky).
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