Lambe | Respeita as Ciclistas
Pedalar além de ser um ato relevante, pacífico e humano, inspira novas formas de viver com mais qualidade e segurança. A autonomia e a confiança que nascem do fato de ser você mesmo o combustível para a sua locomoção, faz com que você não se sinta tão dependente de algo alheio a si. Porque a sensação é realmente essa: a bicicleta se torna uma extensão do seu corpo, uma ferramenta somada a sua energia. Nesse desfecho, você é protagonista, a bicicleta coadjuvante e a cidade plataforma para um dia a dia mais humano.  

A bicicleta nos permite coexistir de forma mais harmoniosa e ocupar os espaços que hoje são negados para as pessoas. Será que o comércio realmente se beneficia com a existência de vagas de estacionamento no lugar de bancos e pequenas áreas de convivência? As ruas precisam dedicar tanto espaço para rodovias ou as calçadas poderiam ser maiores e mais bem cuidadas? Ao invés de competir por espaço, nós poderíamos utilizar do nosso meio de transporte para promover uma existência moldada na coletividade? 

Em 1896, a ativista de Direitos das Mulheres Susan B. Anthony afirmou que “a bicicleta fez mais pela emancipação da mulher do que qualquer outra coisa no mundo”. Em contraponto ao pensamento comum da época de que mulheres não deveriam pedalar, a bicicleta se tornou uma ferramenta de autossuficiência que possibilitou que mulheres fossem sozinhas de um lugar ao outro e ocupassem mais o espaço público.

“Mas tu não tem medo?” é o principal questionamento de uma esmagadora maioria das pessoas ao tomar conhecimento de que usamos bicicletas como meio de transporte. Nós temos medo. Temos medo de andar de bicicleta no meio dos carros. Temos medos de andar a noite seja a pé, de bicicleta, uber, ônibus, taxi, o que for. Temos medo de estar na rua sozinhas. E é porque temos medo que fazemos isso tudo. Pedalamos pela resistência. Para reivindicar o nosso espaço e tomar posse do que nos pertence. Usamos a bicicleta para colocar o medo em segundo plano e dar espaço à liberdade, o prazer e a coletividade. Queremos ver cada vez mais mulheres ocupando as ruas e criando os seus caminhos com coragem e autonomia. (Trecho do texto "#pedalecomoumamulher" escrito por mim e pela Gabi Tosi para o blog da Spino)

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O projeto do lambe "Respeita as Ciclistas" surgiu do propósito pessoal de usar a rua como meio para comunicar a causa das ciclistas urbanas. A arte, que foi criada com técnicas de aquarela e vetorização digital, tem como inspiração as temáticas trabalhadas no material gráfico de divulgação da Clitoral Mass, grupo de pedal norte-americano somente para mulheres. Agradeço também o "Pedal das Gurias" de Porto Alegre, pela energia multiplicadora e encantadora do coletivo como um todo e a força de cada uma das ciclistas do grupo. O arquivo em .PDF está disponível para download abaixo para todxs afim de colaborar para a disseminação dessa mensagem de amor e respeito <3


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