"A DANÇA DO SACICLOPE"

Saciclope © 2014-2017 Eduardo Souzacampus
Miniclipe de animação com o personagem Saciclope®.
Duração: 25 segundos

Produção, Desenhos e Animação: EDUARDO SOUZACAMPUS (https://www.facebook.com/souzacampus.desenhador/)
Música: "Atlântico" © 1921 ERNESTO NAZARETH (http://ernestonazareth150anos.com.br/works/view/23)
Piano: ALEXANDRE DIAS (https://www.facebook.com/AlexandreDiasPiano)
“SACICLOPE n°01 — Memento Mori”

Por Eduardo Souzacampus

1. De repente, sua mente fica ausente e toda sua história é deletada da memória. Assim começa a desventura desta pobre criatura, entregue à própria sorte entre a vida e a morte.

2. Perdido de dar dó, vaga pelo horto com uma perna só, às margens do rio morto. Inda que a tarde finda, busca algo familiar que o ajude a recordar de onde vem ou para qual lugar voltar.

3. Recupera a noção de que é preto-carvão e possui um enorme topete vermelho. Mas para ver a própria face precisa da interface de um espelho. Vê na água um reflexo desconexo, à beira de um abraço de caveira.

4. Sofre o ataque do algoz, tenta gritar mas não tem voz. Corajoso, luta contra o esqueleto pegajoso. Por pouco não é afogado pela ossada que emerge do alagado.

5. A mão da salvação resgata-o do charco direto para o barco. “Sejas bem-vindo”. Um atlético ancião com uma vara zunindo desfere golpes nas caveiras brejeiras. Numa coreografia dinâmica quebra crânios como vasos de cerâmica.

6. O capitão idoso assovia para seu mascote medroso sair do caixote e cobrar o dinheiro do passageiro pixote. “Obedeças, bicho de três cabeças”. Cérbero fareja o resgatado por inteiro mas sua revista atrapalhada rende apenas cócegas e gargalhada.

7. O velho, cismado que é, chacoalha-o pelo pé e olha-o, sem poesia, boca a dentro: “Goela vazia”. Quem diria que não provocaria nem mesmo a queda de uma moeda? “Para onde vais? Quem são seus ancestrais”? O resgatado contudo, além de amnésico é mudo.

8. Caronte, o barqueiro albino, transporta almas rumo ao horizonte. Mas que destino estará reservado para o ciclope desmemoriado? Solidário à provação do herói solitário, segue viagem: “Tens coragem!”

9. É um pesadelo do qual não se pode acordar. O ciclope monópode se deixa levar pelo amigo ancião e seu bicho de estimação. Rumam à cidade de Folclórea atrás de qualquer recordação.

10. Descem o rio pantanoso respirando um ar venenoso, observados ao longo do caminho como estranhos no ninho. Levam de carona uma caveira sem poltrona, pendurada na rabeira do esquife, mas que patife!

11. Do escuro céu desce densa névoa como véu. Nas margens, luzes amarelas das velas de uma senhora carpideira que chora sobre caixas de madeira. Um zumbi aprisionado na boca ôca de uma árvore de mármore. Uma bruxa despeja alguma poção no fundo de seu caldeirão.



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