Project Views
Appreciations
241
Followers
12
Following
5
Photography
Somos um casal de fotógrafos (ambos autodidatas) que procura negar, em seus registros, a definição clássica e ainda em voga de que a fotografia é a cópia fiel da realidade. Isso porque acreditamos que entre o factual e o perceptivo se abre um espaço de dimensões extraordinárias e é justamente neste espaço, sempre … Read More
Somos um casal de fotógrafos (ambos autodidatas) que procura negar, em seus registros, a definição clássica e ainda em voga de que a fotografia é a cópia fiel da realidade. Isso porque acreditamos que entre o factual e o perceptivo se abre um espaço de dimensões extraordinárias e é justamente neste espaço, sempre e inevitavelmente simbólico, atravessado por inúmeros silêncios, vazios, ambiguidades e equívocos, que se imprime a subjetividade de cada um. É neste espaço, pois, que inscrevemos nossas aspirações e anseios, nossas dúvidas e verdades, nossas alegrias e dissabores, nossas dores e nossos medos, nossas conquistas e frustrações, nossos fantasmas e nossos amores.

Realidade ... ora, "o que é a realidade, se há sempre um sonho que nos invade"? Se quase sempre o factual nos escapa aos olhos? Realidade, para nós, é percepção, é vivência, é sentimento, é experimentação e ninguém percebe igual, vive igual, ninguém sente igual, experimenta igual - e é muito bom que seja assim! É fundamental que seja assim! A realidade (a nossa) não tem nenhum compromisso com regras ditadas por um mundo que nos antecede (será mesmo que há algo que nos antecede?), mas sim com aquele mundo que nos funda e no qual nós passamos de indivíduos a sujeitos protagonistas de nosso tempo, de nossa história. A nossa linguagem se tece como um jogo de claro-escuro, luz e sombra, pois diz respeito àquilo que somos e também àquilo que ainda não somos e que talvez nem viemos a ser um dia, trata daquilo que admiramos e refutamos em nós e também do muito que ainda nos compete conhecer acerca de nós próprios.

O que se vê aqui é parte do nosso exercício diário na construção de uma realidade possível, fruto de uma visão compartilhada, percebida, sentida e vivida conjuntamente; uma realidade que nasce do encontro entre duas visões que se respeitam e se complementam nas diferenças, que se acrescentam em diálogo contínuo, mas que também se estranham, se chocam ao mesmo tempo em que se tocam e se acariciam.

O que nos encanta, fascina? Ah, tanta coisa ... mas sobretudo a beleza não-óbvia, aquela que transcende os limites impostos pela superficialidade das aparências e que insiste em enganar os olhos convidando-os a participar de um excitante jogo de esconde-esconde; encanta-nos também o banal, o vulgar, o nonsense, os despropósitos todos, a complexidade das coisas simples que se traduz na poesia da vida quotidiana.

É mais ou menos isso, mas também aquilo.
Nem preto, nem branco. Cinza.
Nem aqui, nem aí. Acolá.
Nem sol, nem lua; nem neve, nem chuva. Luz.
Nem eu, nem você. Nem você, nem ele(a). Nós.
Nem bom, nem mau. Humano.


Seja bem-vindo(a) à nossa realidade, ao nosso real-simbólico, à nossa mentira que talvez peque pelo excesso de verdade.


Vitoria Falabella
hemisfério sul, outono de 2011 Read Less
(PT) Sugerimos alguns filmes para quem deseja se aprofundar na discussão sobre o conceito de realidade:

(IT) Suggeriamo alcuni film a chi desidera approfondire il concetto di realtà:

(EN) We suggest some movies for whom wants to know more about the concept of reality:

- Blow Up (Depois daquele Beijo), de Michel… Read More
(PT) Sugerimos alguns filmes para quem deseja se aprofundar na discussão sobre o conceito de realidade:

(IT) Suggeriamo alcuni film a chi desidera approfondire il concetto di realtà:

(EN) We suggest some movies for whom wants to know more about the concept of reality:

- Blow Up (Depois daquele Beijo), de Michelangelo Antonioni

- Um Dia Um Gato, de Vojtech Jasny

- Giulietta degli Spiriti (Julieta dos Espíritos), de Federico Fellini

- Casa de Areia, de Andrucha Waddington

- A Beautiful Mind (Uma Mente Brilhante), de Ron Howard

- Rosso come il Cielo (Vermelho como o Céu), de Cristiano Bortone

- Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain (O Fabuloso Destino de Amélie Poulin), de Jean-Pierre Jeunet

- Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho

- Being There (Muito Além do Jardim), de Hal Ashby. Read Less
Nenhum homem pode reger o próprio olhar sem enlouquecer.

Alessandro Baricco

***

Para quem está aprisionado, vislumbrar uma fresta que leva além é como encarar os olhos do infinito.

Alessandro Baricco

***

A minha particularidade não poderia jamais se universalizar (a não ser utopicamente).

Roland Barthes

Read More
Nenhum homem pode reger o próprio olhar sem enlouquecer.

Alessandro Baricco

***

Para quem está aprisionado, vislumbrar uma fresta que leva além é como encarar os olhos do infinito.

Alessandro Baricco

***

A minha particularidade não poderia jamais se universalizar (a não ser utopicamente).

Roland Barthes

***

O que me interessa é a irracionalidade. Acho que a razão sozinha não consegue explicar a realidade. Assim como não consegue explicar a clausura.

Michelangelo Antonioni

***

Nossa dupla natureza, posta entre a animalidade e a racionalidade, encontra expressão naquele mundo geminado do simbolismo, com sua voluntária suspensão da incredulidade.

E.H. Gombrich

***

A ilusão das imagens está mais verossímil do que nunca.

Waltércio Caldas

***

“[...] Uma parte de mim
é vertigem:
outra parte,
linguagem. [...]”

Ferreira Gullar

***

Eu não sei porquê
Mas desde onde venho
Sou o ser que vê
E vê tudo estranho

Fernando Pessoa

***

Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca. [...]

Álvaro de Campos

***

[...] chamei de mau gosto o que vi
de mau gosto, mau gosto
é que Narciso acha feio o que não é espelho [...]

Caetano Veloso

***

Nada sou, nada posso, nada sigo.
Trago, por ilusão, meu ser comigo.

Fernando Pessoa

***

Só os profetas enxergam o óbvio.

Nelson Rodrigues

***

Passando da história à natureza, o mito faz uma economia: abole a complexidade dos atos humanos, confere-lhes a simplicidade das essências, suprime toda e qualquer dialética, qualquer elevação pra lá do vivível imediato; organiza um mundo sem contradições, porque, sem profundezas, um mundo plano, que se ostenta em sua evidência, cria uma clareza feliz: as coisas parecem significar sozinhas, por elas próprias.

Roland Barthes Read Less
Member since: