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O DESABROCHAR DO NAZI-FASCISMO À BRASILEIRA
O Desabrochar do Nazi-Fascismo à Brasileira.

República Federativa do Brasil, 2020.

No país que se faz à beira do mar, a onda que bate nas cidades é a do ódio.
O preço da passagem aumentou em 2013. Não são por 0,20 centavos – ainda vejo os cartazes balançarem nas jovens mãos, ainda ouço os gritos nas jovens bocas. Desde ali, o Brasil vive tempos difíceis. Um movimento que, na superfície, nasce  apartidário, logo vira berço de um movimento conservador cujas demandas se espalham com o uso intenso das mídias sociais. O demônio, para esse grupo é o partido que estava no poder há 12 anos. E como uma versão de São João Batista tropical, cabeças são pedidas. Um país livre, com menos impostos e sem corrupção eram as demandas do grupo de Verde Amarelo, patriótico, de bem, antissocialista, que queriam se ver, enfim, livre do fantasma comunista.
O ovo da serpente nazifascista começa a ser chocado, então.
Das águas turvas do parlamento, um deputado surge como bastião da moralidade. Afirmam que tudo o que ele diz, diz por ser “sincero”, arauto da Verdade. 
Jair Messias Bolsonaro, há quase 30 anos em (in) atividade no Congresso, é escolhido. Navega em palavras de ódio, discriminação e achatamento das diferenças. Exalta um torturador. Sua popularidade parece crescer quanto maior o absurdo daquilo que fala. “Mito, salvador da pátria” são seus outros nomes. Ganha as eleições à presidência em grande parte pela estratégia política desenvolvida via redes sociais, sobretudo com divulgação de fakenews. Em 2018, o mundo assiste perplexo a vitória da figura controversa, cristã, hostil, envolvida em corrupção e homicídio junto com os filhos.
Desabrochar do Nazismo à brasileira é uma série de 6 cartazes que mostram como a ideia do nazifascismo criou corpo e se desenvolveu sob os nossos narizes, no elevador, no mercado, no ônibus. Seis cartazes que mostram como a ideia do nazifascismo invadiu as salas de aula, o almoço de domingo, a conversa no bar com os amigos. As frases do presidente repetidas, repetidas, espalhadas e outra vez repetidas. Banalizadas. Em que uma lógica de valorização do absurdo e diminuição do necessário, se mostra explícito o nazismo à Brasileira.
Agora damos braçadas contra o calendário.
A linha lógica.

A construção da linha lógica dos cartazes são através de duas linhas em formas de gráfico, em que a que cresce representa os valores e pensamentos obscuros do nazi-fascismo e a decrescente, representa os componentes básicos em uma democracia sadia.


Typografia/Tipography
A TYPE FIXTURE foi desenvolvida por Alejandro Paul, da Sudtipos e é uma imensa variedade de 72 fontes, com inúmeras ofertas dos tipos de letra, pôsteres e tipografia de madeira do final do século XIX, feitos no gênero Grotesk. A idéia desse design era reunir uma família de fontes de trabalho com flexibilidade funcional suficiente para trabalhar em vários ambientes, da sutileza do layout da cartazes. Esteticamente falando, é bastante interessante - embora em retrospecto não intencional - que cada largura e / ou peso diferentes dessa face acabem puxando uma característica dominante diferente das origens do caldeirão de toda a família. É quase como um álbum de homenagem às capas de músicas antigas de algumas bandas famosas.
Cores/Color
Humanidade X Discriminação
"Para mim é a morte. Digo mais: prefiro que morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo" 
Em entrevista à revista Playboy, Bolsonaro afirmou que “seria incapaz” de amar um filho homossexual e acrescentou que ter um casal gay como vizinho desvaloriza imóveis. “Sim, desvaloriza! Se eles andarem de mão dada, derem beijinho, vai desvalorizar”, declarou. “Não sou obrigado a gostar de ninguém. Tenho que respeitar, mas, gostar, eu não gosto.” 

Educação X Ignorância
"Para o Ministério da Educação, tem que ser alguém que chegue com um lança-chamas e toque fogo no Paulo Freire*. 
Em entrevista a jornalista em 2018, sobre qual seria o plano dele para a Educação do pais.
Democracia x Absolutismo
"Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, se um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil, começando com o FHC, não deixar para fora não, matando! Se vão morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente."
Em entrevista em 1999, ao ser questionado a opinião dele sobre o congresso.

Desenvolvimento X Absolutismo
"Nós temos direitos demais e empregos de menos, tem que chegar a um equilíbrio. A reforma aprovada há pouco tempo já deu uma certa tranquilidade, um certo alívio ao empregador, e repito o que falei ontem: é difícil ser patrão no Brasil."
Em entrevista a jornalista em 2018, defendendo a reforma trabalhista, que meses antes havia criticado.
 
Biodiversidade x Agropecuária
"É ato terrosita, esse Greeanpace só nos atrapalha, é um lixo! (...) Leonardo DiCaprio tá colaborando aí com a queimada na Amazônia, assim não dá (...)"
Em revelia a jornalistas que pediam umm posicionamento a respeito das queimadas da Amazônia.

Laicidade X Fanatismo
"Muitos tentam nos deixar de lado dizendo que o estado é laico. O estado é laico, mas nós somos cristãos. Ou para plagiar a minha querida Damares: Nós somos terrivelmente cristãos. E esse espírito deve estar presente em todos os poderes."
Em entrevista a jornalista em 2019, ao afirmar que indicaria um ministro terrivelmente cristão ao STF.
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