FRONTEIRA

De um lado terra, doutro lado terra;
De um lado gente; doutro lado gente;
Lados e filhos desta mesma serra,
O mesmo c´ú os olha e os consente.

O mesmo beijo aqui; o mesmo beijo além;
Uivos iguais de cão ou de alcateia.
E a mesma lua lírica que vem
Corar meadas de uma velha teia.

Mas uma força que não tem razão,
Que não tem olhos, que não tem sentido,
Passa e reparte o coração
Do mais pequeno tojo adormecido.

Miguel Torga
Partindo do poema de Miguel Torga “Fronteiras”, onde o poeta defende que as fronteiras não existem, criei uma cidade com alguns elementos desenhados e outros decalcados tendo-me inspirado no quadro “The town” da pintora Vieira da Silva.
Esta cidade é criada com elementos do quotidiano citadino e, para isso parti de uma fotografia das ruas de Lisboa e texturas do campo como troncos prevalecendo o tema das fronteiras inexistentes. 
Este trabalho deu origem a uma medalha. Esta remete para o mundo, onde se fala tanto em fronteiras físicas construídas no terreno, que muitas vezes criam barreiras psicológicas entre populaões.
O anverso da medalha está dividido em duas partes por uma racha irregular, que simula as fronteiras anteriormente referidas. Este lado da medalha é feito em gesso onde estão abertas janelas que deixam ver o outro lado.
O reverso da medalha é feito em silicone com a textura da cidade presente em toda a superfície, enfatizando o tema das fronteiras inexistentes visto que a mesma textura está presente nas duas faces da medalha embora em materiais diferentes, por onde a luz passa criando uma ligação.
Maria Amélia Silva 2019
Fronteiras I medalha
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