UM OLHAR SOBRE ANSIEDADE
Segundo a psicóloga Valderez F. Timmen “Enquanto há vida, há ansiedade e angústia, elas nos acompanham por motivos nobres e outros nem tanto. Inúmeras possibilidades me ocorrem e já foram escritas e pensadas, mas existe um tipo de angústia que tem acometido a todos de forma mais ou menos intensa. Trata-se daquele sofrimento sem nome, sem memória e sem razão aparente.
A angústia é uma sensação corporal, com sintomas variados, que vai desde uma pequena alteração nos batimentos cardíacos, até uma sensação de desamparo e morte.
Para a psicanálise, este desamparo nos acomete já nos primeiros dias de vida. O bebê poderá ser prontamente atendido pela mãe ou cuidador, mesmo assim, este momento fica registrado como uma dor psíquica e acompanha o indivíduo pela vida afora.
Em variados momentos este sentimento pode retornar, às vezes com aviso prévio e às vezes não.
A ansiedade pode ser tão intensa a ponto de deixar o indivíduo enfraquecido, com sensação de colapso ou morte iminente.
Como alternativa, sugerimos o atendimento psicoterápico, um espaço aonde as experiências podem ser faladas, examinadas e cuidadas. A construção de recursos internos que possibilitem negociações, através de vivências, encontros enriquecedores, arte, música, leitura, também podemos contar com medicação, exercícios, meditação… Mas, principalmente buscar entender, dar sentido e significado aos sintomas.”
“Assim como um médico pode dizer que provavelmente não existe um único ser vivo que seja completamente saudável, então qualquer um que realmente conheça a humanidade poderia dizer que não existe um único ser humano que não abrigue secretamente uma inquietação, um conflito interno. Uma desarmonia, uma ansiedade sobre algo desconhecido ou algo que ele nem ousa tentar saber, uma ansiedade sobre alguma possibilidade na existência ou uma ansiedade sobre si mesmo… uma ansiedade que ele não pode explicar. (Soren Kierkegaard, “O Desespero Humano”)
Segundo o filósofo Byung-chul Han, no livro “A Sociedade do Cansaço” - A ansiedade aumentou na contemporaneidade, porque passamos de uma sociedade disciplinar, onde as cobranças eram externas, para uma sociedade do desempenho, onde o próprio indivíduo se cobra por uma melhoria contínua e ininterrupta. Segundo ele, as patologias relacionadas a ansiedade vem de um excesso de positividade estafante, o ditame “seja livre” derruba o sujeito do desempenho para dentro da depressão e do esgotamento, onde a depressão ou síndrome de Burnout apareceriam através de um “cansaço de fazer e de poder.” Para Han “A lamúria do indivíduo depressivo de que nada é possível só se torna possível numa sociedade que crê que nada é impossível”.

F. Nietzche no seu livro "Humano, demasiado humano" fala sobre ansiedade e inquietação. "Por falta de repouso nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto. Assim, pertence às correções necessárias a serem tomadas quanto ao caráter da humanidade fortalecer em grande medida o elemento contemplativo". Você concorda com as afirmações do filósofo? O fato é que repensar nossas próprias cobranças é sempre importante. Se dentro da correria do dia a dia temos algum espaço para contemplação e para se dedicar a algo com atenção profunda, respeitando seu próprio tempo
Credits
Agency: Invento Casa Criativa
Photography: Vanessa Nantal
Retoucher: Marlon Bickel
Art Direction: Tanise Gomes, Beatriz Machado
illustration: Helen Morschel
Vídeo: Bernardo Boeira
Model: Ramiro Klain, Fernanda Goldschmidt
Text: Guilherme Viacava, Valderez F. Timmen
Um olhar sobre Ansiedade
3
31
0
Published: