PRÍNCIPE
“Príncipe” retrata um Porto esquecido. Uma cidade, no convés da reabilitação internacional.  
No filme, um princípio de monotonia envolta a personagem principal, João, que viaja em torno de um romance imobilizado. O desejo de “fuga” preenche o subconsciente coletivo da sua geração; em contexto, as relações que estabelece, tornam-se fragmentos de um pensamento volátil. Entre espaços exploratórios, a personagem confronta os seus mais ilícitos movimentos, numa região limitada por fronteiras invisíveis. No limiar dos seus objetivos, a geografia do espaço, em analogia às personagens, está em constante transformação; descomprometida da virtuosa extensão do tempo definido: o tempo como matéria de sensações abstratas e descomprometidas.
Um filme de João Monteiro, 2019, Portugal, 10'

com Nuno Nolasco, José Leite, Mariana Guarda e Sara Barbosa
A curta-metragem nasce como uma carta de despedida a uma inevitável separação. A movimentação juvenil de um Portugal sem futuro comprova um pensamento coletivo de constante euforia. A pessoalidade agregada à fábula narrativa vive dentro das matérias associadas à cidade e à respetiva educação geográfica que me acompanhou desde que nasci. Esta, que me viu crescer dentro dos seus limites espaciais, invoca, por características inócuas, a constante referência ao sonho. Um sonho de fuga, para um local que se associa à subjetividade emocional de uma geração inquieta. 
Em protesto, a indefinição de tempo, afiliado ao desejo, acompanha todas as personagens. Este fragmento de matéria visual, tal como as outras características do argumento, pode ser interpretado sobre múltiplas questões impostas no já referido conflito. A figura principal, que em contestação, esquiva-se da ideia de permanência, encontra, no coração do espaço urbano, um foco de amor imobilizado. O constante sentimento de rebeldia que acompanha a relação sexual das duas personagens masculinas é material de observação sobre esse pensamento fugaz.
Sensações esporádicas, materializações eufóricas, emoções fervilhantes e uma clara desconexão espiritual são vários dos atributos recorrentes na narrativa do filme. A importância do discurso em primeira pessoa e da individualização espiritual das personagens surge da intenção pessoal de autodescoberta. João apresenta-se como um sonhador – uma personagem que esculpe a chegada a um local de total controlo emotivo, contudo, é nesse que colapsa. O poder do “eu” é valorizado sobre o progresso coletivo e com o cinema, navego a rumo da definição de identidade.
PIXBEE

2019 ©
Príncipe (2019)
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