A LIBERDADE

Às vezes tememos tanta coisa que não conhecemos, apenas fomos educados de maneira a olhar para tal coisa com algum medo. Mas se pudéssemos estar lá, não olharíamos com medo, veríamos que a beleza real se encontra no exterior. O mundo é repleto de maravilhas, que se nos déssemos o tempo de poder explorá-lo e sentir cada momento, daríamos mais sentido à nossa existência em grande magnitude e viveríamos uma plenitude.

Olá, meu nome é Michel Onésio, sou um jovem artista. Atualmente considero-me um fotógrafo com a missão de retratar a realidade da forma mais pura e, que não se importa com as diversas técnicas ou exigências fotográficas. Eu uso a fotografia para informar, expressar a dor, a felicidade e entre outros momentos da vida e do mundo.

Eu ouvi uma voz que me dizia: "vagueie pelas ruas, entregue-se e permita-se a ressignificar a tua existência”.

Eu permiti que a voz entrasse e, senti uma grande força em mim.  Decidi refletir mais sobre a mesma e, entreguei-me totalmente ao que ela me dizia.
 - Esvaziar a minha mente, permitindo que pensamentos aleatórios viessem sem nenhum esforço.

 Nessa entrega pensei na possibilidade de fazer as coisas que mais dão significado a minha existência, como ser humano e como artista, poder ver-me longe da ansiedade e da possível depressão.

A voz também me dizia: "não leve nada contigo, apenas vá e vira-te com o que conseguires".
 - Tentei obedecê-la.
Preparei-me para estar durante dois dias vagando.


A noite e o dia

 Na manhã do primeiro dia, bem cedo pus-me a andar, parecia algo que não fosse acontecer como sentia, mas ao caminhar pelas ruas/avenidas de zonas meio temidas pela sociedade da cidade de Maputo, sentia-me tão leve e voando como um pássaro, que não tem nada a perder em posar em qualquer lugar.
 Com a companhia de uma câmara, registei algumas fotografias que a minha alma pedia. Vários momentos registados e outros apenas que foram vividos por mim (algumas turbulências com minha pessoa).  Infelizmente poder partilhar todos os momentos é meio difícil.
 Foi uma manhã de registos, uma tarde de tristeza e felicidade.
A noite foi mais tranquila desde o momento que parei com as minhas paranóias de que alguém viria agredir-me.   Procurei um lugar para estar, descansar, olhar a noite a ir-se embora e ver outro dia chegando. O meu desconforto por momentos fez-me abandonar aquele local e procurar um outro, andei mais pela cidade, sem mais saber onde ficar.
 Quando encontrei um lugar onde podia sentar-me e encostar a cabeça, assim o fiz.  A noite ainda estava só no seu início, alimentei-me com o que consegui e descansei a minha cabeça.  Foi daí de onde o esvaziamento começou e, os pensamentos aleatórios também me acompanhavam. Mas às vozes dos meus "irmãos" (os que vivem livres por mais tempo nas ruas) interrompiam o meu sossego naquele momento.  Mas desde que eles caíram no sono profundo, ficou tudo muito mais calmo e senti-me em casa, feliz e significando a minha existência.   Caí no sono em alguns momentos, mas não durava mais de 10 minutos.  Queria poder acompanhar a noite até a chegada do dia e, assim foi -Tudo tranquilo e libertador.   Ao amanhecer (4h00 am) sentei-me para agradecer e orar por ter visto mais um belo dia a chegar e, foi muito inspirador.

Pelas 5h00 am comecei a vaguear, vendo como a cidade é tão calma e mais organizada nas primeiras horas do dia.    Pude acompanhar cada passo e ver como a mesma torna-se agitada. Registei alguns momentos que quero guardá-los comigo. Assim foi o início do meu segundo dia sendo "um menino de rua".  Andei por tantos pontos da cidade sem me cansar, olhei para cada detalhe, cada momento, alguns registados outros não.
 O dia começou tão bem, ressignifiquei a minha vida e estava tão feliz. Foi um dia sem turbulências, sem muitos registos fotográficos e mais momentos vividos, que só ficarão na minha memória. Ao entardecer sentia-me tão exausto. Foram boas horas andando, sem banho, sem escovar e a minha roupa meio suja.

A noite dirigi-me à casa, para estar com a minha família e voltar a zona de conforto, que é a origem dos meus problemas mentais.

Nós fugimos de alguém que é livre, que é dono de si, que vivi a vida da melhor forma que acha. Que não tem controle de nada na vida, que apenas vive sem nenhum medo e que não pretende magoar a ninguém.  Eu pude ouvir um deles a cantar com tanto entusiasmo e muito bem, fiquei super emocionado com aquele momento, que queria ouvir-lhe cantar toda noite para mim.
 Ele mal tem uma televisão, um rádio e muito menos um celular, mas conseguiu ter a letra da música na sua cabeça (não direi qual foi a música, mas é super emocionante). Ouvi-lhes a conversar e a sorrir, isso foi tão bom.
 A liberdade é mesmo boa.
Aprecie cada momento que estou partilhando
Desculpa, removi a maioria das fotos por alguns motivos.
FREEDOM
11
52
0
Published:

FREEDOM

11
52
0
Published:

Tools

Creative Fields