Zine Philiphóbicos e Phobophílicos
Projeto Universitário - Universidade Anhembi Morumbi

Introdução
Do termo Fanatic Magazine, ou Magazine do Fã, os fanzines surgem como um movimento de resistência na década de 1930 nos Estados Unidos, através de publicações independentes feitas por fãs de ficção científica, como uma possibilidade de veicular seus trabalhos, ainda que na época fosse um gênero literário menosprezado pelo mercado editorial.
Já no Brasil, os fanzines surgiram na década de 60, como boletins, e eram dedicados às histórias em quadrinhos. Apenas na década de 1970 que o termo “fanzine” passa a ser utilizado.
O fanzine pode ser considerado uma revista feita de forma independente e tradicionalmente com baixo custo de produção, pequenas triagens e baixa periodicidade e alcance que não necessariamente visa o consumo em ampla escala, mas a inovação de conteúdo com diversas experimentações de linguagens artísticas e promove a divulgação, exposição, reflexão e troca de informações e opiniões sobre qualquer assunto de interesse de um indivíduo ou grupo que possuem alguma afinidade.

Tema
Desde o início, foram percorridos caminhos distintos no que se refere ao tema do projeto, sempre tangenciando o psicológico, a psicodelia e a pós-modernidade com um viés irônico ou humorístico e explorando temas como teorias de cor, a teoria freudiana do id/ ego/ superego, identidade, entre outros. Por fim, foi definido como tema as Peculiaridades da Mente Humana, chegando, como recorte em -phobias e -philias, que compõem nomenclaturas de condições específicas do comportamento humano. Phobophílico e Philophóbico foram os nomes escolhidos para caracterizar as duas zines. Eles vão de encontro com a complementaridade entre philias e phobias e reforçam a ideia de que o produto impulsionador da philia para uns, pode ser o causador da phobia
em outros. Espera-se por parte do leitor, uma confusão no diagnóstico do quão incomum é, ou até a dúvida sobre a veracidade da informação, já que algumas phobias e philias representadas serão falsas, inventadas.
Os nomes se apoiam no jogo de significados atribuídos aos sufixos. Sendo assim, Philiphóbico seria algo como o sujeito que tem medo de philias (Philo = referente ao amor fraterno, amizade / phóbico = que tem medo, fobia), assim como Phobophílicos se coloca como quem tem simpatia por phobias (Phobo = referente ao medo, aversão / phílicos = que se tem amor fraternal).
Estética
A escolha do pós-modernismo como identidade visual deu-se ao fato do tema abordar um lado individualista e subjetivo do ser humano. As peculiaridades humanas têm visões distintas a cada um, além da complexidade de entendimento. As experimentações, os hibridismos, os sarcasmos, as polissemias e a abrangência de informações abraçam os conceitos e a estética desse movimento.
O pós-moderno tende ao hibridismo, uma mistura com diversas possibilidades visuais. Com tamanha mistura, a ambiguidade e polissemia são resultadas. Nessa fase, o expectador é de suma importância, sua participação é feita a partir de uma pluralidade de interpretações, sem verdades únicas. Experimentações são bem-vindas e a efemeridade explorada, rasgos, superexposição ou baixa exposição nas fotografias, uma mancha que aconteceu ao acaso, afirmando a transitoriedade do movimento. Pelos questionamentos feitos pelo movimento, o uso de ironia e sarcasmo torna-se muito comum, inclusive para instigar o espectador, que pode interpretar de várias formas.
Os trabalhos de Wolfgang Weingart, David Carson, Dan Friedman, Neville Brody, April Greyman, Alan Fletcher e Paula Scher influenciaram fortemente esse projeto.
Traduzimos essa linguagem através de colagens, sobrepondo fotografias autorais,  banco de imagens, texturas de pincéis, ilusrações e letterings. Além disso, utilizamos efeito de meio tom em algumas imagens.

O processo foi iniciado todo manualmente, e depois reproduzimos as peças digitalmente. Foi bastante curioso comparar os primeiros espelhos do com o resultado final da zine.
Tipografia
Para a produção dos zines, foram desenvolvidos duas tipografias distintas, porém visando a unidade entre as duas publicações. 

Phobias
Foi  desenvolvido manualmente, através da técnicas do Lettering, para a ser utilizado nas peças sobre phobias utilizou caracteres irregulares, onde a mesma letra pode apresentar formatos diferentes. O conceito que embasa essa assimetria é remeter ao sensação quando sentimos o medo extremo. Nos tornamos parcialmente irracionais, sentimos taquicardia, permanecendo apenas com nosso instinto de sobrevivência. 
O traço da tinta é falho, assim como se torna nossa percepção da realidade. O medo nasce daquilo que desconhecemos ou que não compreendemos por completo, então para remeter essa incompreensão da ameaça iminente, algumas letras podem ter sua leitura um pouco dificultada, porém sem perder as características que determinam o caractere. Para gerar certo desconforto visual, os letterings possuem também ângulos agudos.
Em textos onde é a legibilidade é completamente necessária, como na folha de rosto e no glossário, foi criada uma tipografia mais clara, porém que mantivesse os ângulos agudos e a irregularidade dos tipos, para que mantivesse a identidade visual do medo.

Philias 
Ainda que em um primeiro momento, tem-se a impressão de que a philia não evoca sentimentos primitivos como a phobia, o amor extremo a um objeto e/ou uma situação se torna uma obsessão. Para remeter então ao erotismo que está atrelado à philia, o lettering criado segue o estilo script, com diferenciação entre maiúsculas e minúsculas, com curvas sinuosas e com o corpo da letra mais sólido.
Ainda que em menor proporção comparado à phobia, também há certa irregularidade das letras, para remeter à interferência que o prazer extremo interfere em nossa capacidade de discernimento e raciocínio lógico.
Para os textos do glossário e da folha de rosto, manteve-se o estilo script, porém sem contrastes para harmonizar com a tipografia das phobias, em monoline.
Resultado Final
Editorial - Zine
1
42
0
Published:

Editorial - Zine

Projeto universitário. Criação de zine Philiphóbicos e Phobophílicos
1
42
0
Published:

Tools