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    Atividade de Prática Supervisionada apresentada à Faculdade da Serra Gaúcha – FSG, como parte das exigências do Curso de Psicologia para aprovação na disciplina de Teorias e Sistemas em Psicologia II. Read Less
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INTRODUÇÃO
 
Foi observado, durante alguns meses, poucos para afirmar deveras que minhas conclusões são válidas, mas pode-se perceber o comportamento humano nas redes sociais ao meu redor, foi possível também questionar sobre o meu próprio comportamento na rede social chamada Facebook.
De acordo com o psicólogo clínico e organizacional Walter Mattos, há dois tipos de facebookers (usuários do Facebook): o que procura ser cauteloso na auto exposição e o que usa a ferramenta como substituição da realidade. Daí nos perguntamos: para que essa auto exposição? Por que substituir a realidade? Ela é tão cruel assim?
Atualmente a sociedade está vivendo a catarse sem sequer estar em estado hipnótico, basta dar-lhes um computador com acesso ao Facebook. As pessoas escrevem nas redes sociais tudo que lhe vem à mente em completo estado de consciência.
Este trabalho tem como objetivo apurar alguns motivos pelos quais as pessoas utilizam desta ferramenta para demonstrar seus desejos, vontades, medos e angústia sem qualquer pudor ou intervenção do Superego.
 
O “SER-PARECER” DAS REDES SOCIAIS
 
Desde fevereiro de 2004 o Facebook (rede social mais utilizada hoje em todo o mundo) é o companheiro inseparável de muitas pessoas. Cada usuário posta em seu perfil coisas que acham interessante compartilhar com TODO MUNDO. Há postagens sobre a viagem que fizeram, a comida que estão comendo, o relacionamento que estão acabando e por aí vai. A indústria tecnológica fomenta a ideia equivocada de que o Facebook é uma ferramenta para compartilhamento e contatos sociais e que de acordo com suas políticas e condições de uso não é capaz de produzir sofrimento psíquico, assédio moral ou agressão, sendo que o usuário que isto fazer pode ter a sua conta excluída. Porém, nada nos garante que nas entrelinhas deste processo e nas mentes de cada um não exista uma forma de maldade ou alguma forma de sofrimento ao ler certas coisas compartilhadas por nossos “amigos”.
Essa ferramenta está cada vez mais ligada ao capitalismo, ambos andam em paralelo. O Facebook induz muitas pessoas a fazer viagens que nunca imaginaram fazer, frequentarem restaurantes que nunca teriam condições de frequentar e muitas vezes terminar relacionamentos ou criar afetos que nunca existiram. A pergunta é: qual é o real motivo de toda a necessidade de postar sua vida (real ou imaginária) na rede? Por que as pessoas precisam tanto de aceitação umas das outras? De onde vem esta necessidade de ouvir a opinião dos outros? Preciso postar isso para ficar feliz? Quero fazer isso para deixar as pessoas tristes? E se isso que estou postando não impactar e não gerar a resposta que estou esperando?
A exigência de uma sociedade contemporânea está gerando angústia em muitas pessoas, que por ventura estão tentando acompanhar a economia juntamente com a idealização de uma vida melhor, estes sujeitos acabam falando pouco e engolindo muito, ou pelo contrário, como no caso dos facebookers, andam postando muito e fazendo pouco. No entanto acabam deixando de lado a sua subjetividade sendo vítimas de um totalitarismo.
Hoje o que nos aflige moralmente, não é mais o velho dilema entre "ser e ter", que se baseava no alto consumo e capitalismo, mas sim entre "ser e parecer".
Pois bem, se as pessoas estão tristes é porque existe algo que lhes está fazendo sofrer, isso poderia ser uma consequência das mudanças na forma de viver na atualidade, a superexploração da jornada de trabalho e estudo, as exigências de se ocupar um lugar na sociedade, o consumismo e outras mais, que tornam o sujeito refém dessas excessividades.
O individualismo é uma característica contemporânea, as pessoas estão se apagando do mundo, eis que surge então uma ferramenta que permite ao sujeito continuar fechado em seu quarto, mas ao mesmo tempo sendo “curtido”, pode estar andando na rua e ser “compartilhado” e pode estar trabalhando e ao mesmo tempo sendo “comentado” por todas as pessoas (que muitas vezes nem conhece). Esse sujeito acaba hipotetizando que é uma pessoa popular, feliz, cheia de amigos e sente-se aliviado do sofrimento momentâneo de solidão ou até mesmo de um sentimento de exclusão que vem sendo alimentado desde a 5ª série do ensino fundamental, mas em contrapartida continua só e sua vida real, aquela que não pode ser “curtida” acaba por consequência perdendo a graça. Em outras palavras, este sujeito acaba ignorando aquilo que o corpo quer revelar que lhe está incomodando (talvez a exclusão) e esquece o encontro do sujeito com seu próprio eu. Esquece-se de buscar aquilo que realmente o faz feliz.
 
FACE-MÁSCARA
 
Muitas de nossas escolhas são feitas a partir de um futuro imaginado, e o Facebook é uma forma de comunicação baseada na expectativa, por exemplo: postamos nas redes sociais o que queremos ser, e não o que realmente somos, pois nem temos a noção exata de quem somos. Nós precisamos do olhar de alguém que testemunhe e dê sentido ao que somos. Essa necessidade de aprovação vem desde a infância, quando nossos pais e professores vêm reforçando que devemos ser aceitos e reconhecidos na sociedade, essa é mais uma estratégia do sistema panóptico para nos manter sob controle.
Podemos definir o Facebook como nossa máscara virtual, todos nós usamos máscaras e criamos as máscaras dos outros, elas servem para vermos e sermos vistos. A máscara é uma fuga, é algo que preenche o abismo entre o que queremos ser e o que queremos parecer, “como eu sou, e como quero ser visto”.
Esta rede social nos dá liberdade de criarmos livremente nossas máscaras, no caso, nosso perfil. Podemos sorrir em fotos que não estamos felizes, tirar fotos em restaurantes caros, sendo que só fomos uma vez na vida. Podemos modelar livremente nossas máscaras, ou seja, modelamos a maneira que as pessoas vão nos ver, misturando aquilo que já vivemos com o que poderíamos ter vivido, confundindo o que é presente, passado e futuro, criando uma falsa realidade de vidas não vividas e materializando nossas expectativas através de postagens. Com isso nossos perfis acabam sendo infinitamente melhores que a realidade, e sai daí a frustração, pois, estamos vendo todos os dias pela rede lindas máscaras e acabamos comparando-as com nossa realidade, que nem sempre é tão bela como a máscara observada. Atitudes e formas de comportamentos que podem se tornar mais reais do que as próprias pessoas.
Segundo Freud: “Sob a máscara do esquecimento e do equívoco, invocando como justificação a ausência de más intenções, os homens expressam sentimentos e paixões cuja realidade seria bem melhor, tanto para eles próprios como para os outros, que confessassem a partir do momento em que não estão à altura de dominá-los”.
Todos nós usamos mecanismos de defesa, isso acontece desde a infância quando nos tiram da zona de conforto; quando, por exemplo, nossos pais nos pedem para ir pela primeira vez no mercado sozinhos ou quando nossos professores nos fazem apresentar um trabalho ou ler um texto na frente da turma. Apresentar mecanismos de defesa é normal, o que é anormal é o excesso deles. Os usuários do Facebook, por exemplo, estão exagerando no Mecanismo de Isolamento, postando compulsivamente para tentar diminuir a ansiedade gerada pela exclusão, pela necessidade de atenção, pela necessidade da confirmação e aprovação do outro, se este outro não curte uma foto, vamos postar outra frase, se ele não compartilha-la, vamos entrar num grupo que fala sobre determinado assunto, vamos dar nossa opinião e esperar até que todos digam que estamos certos.
As pessoas estão esquecendo-se de viver a vida real, de dar elogios pessoalmente, saborear uma comida sabendo que aquele gosto só ela vai sentir, as redes sociais são ferramentas muito interessantes, mas o contato olho a olho, cara a cara, cheiro a cheiro e gosto a gosto é muito melhor.
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 
Existe uma guerra clara entre aquilo que nossas pulsões desejam e o que a sociedade exige. Para viver em sociedade e ser aceito de acordo com as expectativas dos outros, o sujeito nota que necessita colocar limites em seus impulsos e desejos, através de várias estratégias e mecanismos de defesa. É preciso aceitar que nem sempre será possível ser e ter aquilo que nossos mais profundos desejos obscuros e fantasmagóricos ordenam, mas se abster totalmente deles, colocando-os num personagem comandado por nós mesmos atrás de um computador também é prejudicial; o sacrifício pela aprovação e o bom conceito diante do sistema não pode ultrapassar limites, gerando angústia e sofrimento.
Diante de nossas obrigações, responsabilidades e limitações, existe um ser humano tentando sobreviver em busca pela adaptação. É importante e interessante sim termos uma conta no Facebook para nos conectarmos e compartilharmos nossas conquistas e felicidades com nossos amigos, mas cabe a cada um de nós o reconhecimento das diversas possibilidades e a busca pelo equilíbrio entre aquilo que queremos e o que querem de nós. Caso contrário, estaremos para sempre aprisionados em nossas máscaras.
 
REFERÊNCIAS
 
http://pt-br.facebook.com/full_data_use_policy
http://pt-br.facebook.com/legal/terms
http://g1.globo.com/platb/o-perfil-do-facebook/
http://claudia.abril.com.br/materia/facebook-a-vida-como-ela-nao-e/?p=/comportamento/sociedade
http://professor.ucg.br/siteDocente/admin/arquivosUpload/3259/material/freudconferencias.pdf
http://inconscientecoletivo.net/a-necessidade-de-aprovacao-e-reconhecimento/
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-98932000000300006&script=sci_arttext]
http://www.psicoloucos.com/Sigmund-Freud/mecanismos-de-defesa.html
FREUD, S. A dinâmica da transferência (1912) In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v.12. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
LOPES, V. L. S. Freud, Dora e a resistência do analista. In: Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 44, n.1, p. 175-181, jan./jun, 1992.