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Tenho medo mesmo sem ter nada
Tenho medo mesmo sem ter nada!

Filho da modernidade líquida, o medo se tornou regente da urbanidade, que se encastela e se cerca em busca de proteção, muitas vezes contra inimigos invisíveis, inventados ou projetados naquilo ou naqueles que a sociedade, quixotesca, racista e colonizada, enxerga como ameaça. Essa projeção cria um círculo vicioso, em que o medo se retroalimenta criando mais e mais medo. A "insegurança" é proporcional ao tamanho da cidade, o "inimigo" muda de acordo com a cor da pele. A mão branca ainda se arma com um revólver em derretimento, que codifica a ignóbil tentativa de "autoproteção" contra uma ameaça inventada pelas próprias políticas públicas herdadas dos tempos da escravidão. A aura do medo se perpetua indefinidamente pelo tempo, que marca os passos largos de um solução arquitetada para manter classes sociais bem definidas e amplamente controladas.

"A vida social se altera quando as pessoas vivem atrás de muros, contratam seguranças, dirigem veículos blindados, portam porretes e revólveres, e frequentam aulas de artes marciais. O problema é que essas atividades reafirmam e ajudam a produzir o senso de desordem que nossas ações buscam evitar.[...]...o círculo vicioso em questão foi deslocado/transferido da área da segurança (ou seja, a autoconfiança e a autoafirmação, o a ausência delas) para a área da proteção (ou seja, de ser resguardado das ameaças à própria pessoa e suas extensões, ou de ser exposto a elas)."
Zygmunt Bauman - Tempos Líquidos


Vídeo Instalação
O vídeo foi concebido com a proposta de exibição em looping, no sentido de recodificar essa ação fútil de agarrar, confiar e alimentar aquilo que, ironicamente, é fundamentalmente efêmero, num fluxo cíclico incessante. 
Duração total 8'07" em looping.

O vídeo "Tenho medo mesmo sem ter nada!" foi selecionado na VII Mostra 3M de Arte e ficou em exposição de 03 de novembro  a 03 dezembro de 2017 no Conteiner.art, no Largo do Batata - São Paulo - SP. 
Imagens Still - Lambe Lambe

As imagens em still seguiram o caminho das ruas, em formato de lambe-lambe, criando sequências de uma violência/autodefesa que se desmancha, tanto em códigos quanto em materiais.
2017 - Rua Venâncio Ayres - Perdizes - São Paulo
Trabalho desenvolvido em 2017, durante estudos e pesquisas para a disciplina "Poéticas Líquidas", ministrada pelo Prof. Dr. Hugo Fortes, na ECA-USP. 


Agradecimentos: Johnny Brito e Eveline Feitoza.
Tenho medo mesmo sem ter nada
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