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O futuro social e econômico impactado pela tecnologia
O futuro social e econômico impactado pela inteligência artificial e automação

    Todo mundo já ouviu falar que os robôs irão tirar nossos empregos, e nós sabemos que sim, eles vão. Mas é necessário olharmos com atenção, estudarmos situações e prover empoderamento pra quem vai perder seus postos de trabalho. Por mais pessimista que seja a visão de hoje, podemos começar hoje uma revolução não apenas na tecnologia, mas no nosso social e econômico, dignificando o ser humano.
    Quem nunca ouviu que os robôs vão tomar o planeta e escravizar os humanos? Que eles serão cruéis? Mas isso acontece porque o ser humano espelha muito suas ações no outro que não necessariamente está inserido nos meus valores e/ou impulsos. Nós, humanos, temos o poder, buscamos o poder, exercemos o poder. Mas essa é uma característica humana que não é replicada pelos robôs, eles não vão se comportar como nós. Mas se os robôs não são malvados, quem é que tá roubando nossos empregos?
    O conceito de roubar emprego é meio perdido quando se considera que nós podemos dignificar o ser humano, os dando oportunidade de atividades realmente prazerosas, a chance de edificar seus conhecimentos. Como por exemplo, a Uber. Com sua plataforma digital, ela emprega motoristas, mas em contrapartida, a cada motorista da Uber, é um passo a mais pra que não hajam mais motoristas! Ficou confuso? É fácil. As profissões que serão substituídas primeiro são aquelas mais repetitivas, menos criativas e com piores condições de trabalho. Historicamente, já aconteceu muitas vezes da automação substituir humanos nos seus trabalhos, mas a automação também gera empregos porque a automação leva as pessoas pra centros e as obrigam a estudar mais considerando que a máquina faz o trabalho braçal em maior número e com mais agilidade. Desde a Primeira Revolução Industrial, passamos de 12% de alfabetizados para 90%, e uma pesquisa de 2014 feita pelo IBGE indica que em nove anos, no período de 2004 a 2013 tivemos um aumento de 10% entre jovens no tempo em que se fica na escola, passamos de 7,7 anos estudados para 8,4 anos. Isso tira a pessoa do trabalho bruto, com condições desumanas e os coloca em lugares melhores, com melhores remunerações.
    Mas a questão é: se a tecnologia é tão benéfica por gerar mais e melhores empregos, por que insistimos em ter medo? Por três principais fatores:
1.    O timing não é o mesmo. Após aquele posto de trabalho ser substituído por uma máquina, demanda tempo, talvez décadas pra que aquele trabalhador tenha uma recolocação adequada no mercado em profissões provenientes da tecnologia, isso nunca acontece de imediato.
2.    Quem ganha o emprego, geralmente não é quem perdeu. Quem perdeu o emprego, o chão de fábrica, o atendente de telemarketing, o contador, ele não consegue imediatamente uma vaga em uma empresa de tecnologia e inovação por questões multifatoriais.
3.    Essa transição agrava a desigualdade. Quem já está em uma posição mais privilegiada com estudo e idade tende a ter mais destaque, e as pessoas mais velhas, com menor escolaridade, tendem a ter seus currículos mais defasados, e ficam desvalorizados como profissionais. E então chegamos a outro ponto: empoderamento.
            Uma palavra que anda tão gasta ultimamente, mas que é extremamente importante quando tratamos de crises por causa da tecnologia. Um país em crise econômica não é benéfico pra ninguém, pessoas param de comprar, as fábricas param de produzir, aumentam as demissões e essas pessoas desempregadas perdem o poder de compra e assim por diante, gerando uma bola de neve. É importante que as empresas devolvam autoestima pra esses funcionários, dignifiquem seus trabalhos, estimulem a criatividade, a liderança e os deem incentivos para graduações. A experiência de anos de um bom funcionário, combinados a um curso de graduação, faz com que o funcionário tenha segurança ao ser desligado daquela empresa.
              O que é importante lembrar, é que esse cuidado deve ser tomado com todos os funcionários já que a inteligência artificial tende a tomar também nossos cérebros de obra. Já temos AI’s compondo músicas, programando, pintando, e em breve teremos na área de comunicação. Mesmo que o avanço tecnológico não uma promessa de emprego, temos algumas ideias na economia que podem nos garantir financeiramente porém ainda pouco se fala sobre o propósito de vida dessas pessoas. Teremos robôs e AI’s que fazem tudo por nós, que fazem toda a manutenção das cidades de forma mais segura e eficaz que a gente, e é muito positivo porque criamos máquinas inteligentes pra que possamos ter maior qualidade de vida durante os anos. Máquinas que nos tiram de escritórios e fábricas e nos permitem atividades prazerosas. Mas até em que ponto é prazeroso não sentir que está produzindo algo? Se a máquina tomar todos os nossos postos de trabalho, então precisamos nos lembrar de que o ser humano tem a necessidade de trabalhar, precisa disso como propósito de vida, como parte de uma engrenagem, como algo que faz a sociedade funcionar. Se tirarmos esse propósito, o que faremos para ocupar a vontade de criar, de desenvolver? Pode-se inclusive citar a alienação do trabalho, conceito de Karl Marx (grande filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário socialista do século 19) que descreve que o trabalho é o fruto das nossas concepções, é a perda do prazer na confecção do que fazem, suas habilidades deixam de ser necessárias do começo ao fim. Então isso levado a quase zero, onde temos quase zero domínio do trabalho, do que é produzido, onde ficam os frutos das concepções? 
               Uma solução pra isso poderia ser a Neuralink, que é a iniciativa de Elon Musk em desenvolver uma rede neural para que possamos fazer upload e download de novas habilidades, assim nos igualando as máquinas. Teremos lutas justas como de Neo contra os agentes em Matrix (1999). Mas assim como Neo, que aprendeu a usar suas novas habilidades pelo desespero, que tomadas absurdas tomaríamos em nome do desespero? Iríamos eleger políticos caricatos por medo do que a tecnologia pode trazer? Iríamos dar poder para novos ditadores retrocedermos? Negando fatos científicos assim como Donald Trump faz com o aquecimento global, ou retrocedendo no direito a informação como o mesmo fez com a neutralidade de rede? É preciso que pensemos hoje em como igualar essa população de massa, que falemos mais e enfatizemos mais a divulgação científica para quebrarmos o medo inicial do progresso.
Mas e o que vai acontecer conosco financeiramente? Sim, existem soluções plausíveis sendo estudadas e pessoas ganhando Nobel de Economia por tais feitos. A primeira, e até o momento, a mais cotada é a renda única básica. Consiste em o governo pagar um salário básico para as pessoas viverem com dignidade. Inúmeras críticas e associações com o socialismo têm sido feitas, mas é de suma importância enfatizar que é do ser humano criar. Independente do sistema econômico, nós criamos, nós aprendemos, nós nos esforçamos para descobrirmos mais os limites da nossa capacidade. A antiga União Soviética, o primeiro país socialista do mundo que mandou o homem ao espaço pela primeira vez. O conhecimento tem que ser a recompensa, não o capital. Mas ainda sim, a renda única básica não se associa com o socialismo, inclusive, pode-se mantê-lo dentro do capitalismo com empresas privadas brigando pelo dinheiro das pessoas e as pessoas podendo consumir seus produtos. A segunda proposta é o “Imposto de Renda Negativo”, desenvolvida em sua versão mais atual por Milton Friedman (e originalmente por uma mulher, Juliet Rhys-Williams), ganhador do Nobel em Ciências Econômicas. Consiste-se em um valor dado pelo governo em metade do valor ganho em seu trabalho. Fica mais ou menos assim:
Você ganha R$2000,00 mensalmente em seu trabalho
O governo vai dar metade disso, então:
R$2000,00+R$1000,00=R$3000,00
         Ainda se baseia na renda única básica, mas as pessoas procurariam trabalhar mais para dobrarem seus ganhos do governo. Teríamos a ciência e a pesquisa com crescimentos absurdos, devolveríamos o propósito tirado pelo desemprego e ainda iríamos dignificar o capital ganho. Teríamos pessoas trabalhando mais em pesquisa e desenvolvimento que nunca, já que todas as áreas nós conseguimos substituir pela automação.
        O futuro descrito com AI’s e robótica pode ser distópico dependendo da maneira em que se escolhe olhar. Mas ainda assim, ele pode ser extremamente positivo se hoje começarmos a fazer com que ele deixe de ser apenas possível ou provável, mas que também passe a ser desejável. Estamos muito próximos desses cenários e lutar contra é inútil e nós não queremos retroceder. A robótica veio pra ampliar nossos músculos assim como a inteligência artificial veio para ampliar nossos cérebros. 
    

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