Ele é simples, de cabelos brancos e mãos sujas, despido da cintura para cima, seu uniforme de trabalho é uma calça social que virou bermuda. Em sua mesa de trabalho não um computador de ponta e sim uma clássica e mui simbólica maquina de costurar. Como "escudeiro" tem um jovem por apelido de Cicinho, pau para toda obra e em todas elas o ajuda com dignidade somada a um sorriso exagerado, mas eis a questão, de quem estamos falando? Uma coisa vale salientar para começo de conversa, é daqui que lindos sapatos, saltos e derivados são produzidos para tonar ainda mais belos eventos como o nosso 07 de setembro e as festividades de São João.

Toda a simplicidade acima narrada pode esconder a mente criativa de seu Joaquim Grigório, o popular Bombom Sapateiro, são décadas dedicadas a um ofício que requer talento e vocação, o que ele faz é arte, de tão singular valor quanto a música, a poesia, a pintura, preserva a prática e repassa para um de seus netos.

É tão raro ver alguém sobrevivendo de seu talento, ainda mais em Pedreiras onde mentes criativas se perdem nos balcões do comercio local. Seu Joaquim é um guerreiro, um verdadeiro cidadão pedreirense, não é atoa que é o mais procurado na confecção de sandálias cheias de adereços e brilho e olha que não conta com um grande aparato tecnológico em sua produção, mas ele se garante no que faz, às vezes ignora os reclames do próprio corpo, isso em determinadas épocas do ano.

Como se não bastasse a correria seu Bombom dedica parte de seu tempo as atividades dos Alcoólicos Anônimos ( A.A.) de quem fala com muito orgulho e não se limita a reuniões semanais, participa de grandes encontros, debate sobre o alcoolismo e ainda defende seu time do coração, o Vasco da Gama.

Tive a oportunidade de visita-lo em seu novo endereço, além de uma boa prosa fotografei os pormenores do trabalho que desenvolve que vai desde a produção de sapatos, sandálias. Uma figura!

Texto e Fotografia: Joaquim Cantanhêde
O sapateiro
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