Cidade Experimental

A proposta consiste na criação de projeto urbano onde hoje é um espaço ocioso pertencente a uma fazenda urbana e a urbanização da ocupação Élisson Prieto – Glória (MTST) que está atualmente em processo de regularização, ambas as áreas somadas contabilizam 1.283.993,8 M² (128,4 ha) e se localizam na região sul de Uberlândia, Brasil.
Situado ao lado, o Campus Glória da Universidade Federal de Uberlândia, futuro campus principal da instituição com aproximadamente 3 milhões de M² separado da área do projeto pela rodovia BR 050 que liga Brasília a SP.
O projeto parte dos princípios de multidisciplinaridade de uma cidade, a grande necessidade de uma maior resiliência, seja energética, de alimentos e produtos locais, em meio a nossa atual sociedade extremamente dependente do sistema financeiro e de transportes, e por último o que denomina o projeto, uma integração profunda com a universidade trazendo a pratica estudos dos mais diversos cursos da universidade tornando o espaço projetado uma espécie de cidade experimental (significado de Multidisciplinaridade: reunir várias disciplinas em busca de um objetivo final).
Unindo os três princípios é proposto que no interior da maior parte das quadras do novo projeto haja o plantio e manejo de sistemas agroflorestais urbanos (SAFs) trabalhadas pelos próprios moradores que se interessarem e com orientação dos cursos da universidade que pesquisem tais sistemas, esses espaços serão públicos com caminhos e passagens por entre as quadras integrando todas elas e conectando pontos importantes do bairro, inclusive por meio de bicicleta, algumas das quadras maiores contemplarão equipamentos de esporte e laboratórios de pesquisa da própria universidade, trazendo entre outras coisas, segurança para os locais. Um aplicativo de celular desenvolvido em pesquisa da universidade pode gerir o sistema tanto intraquadra, organizando horários disponíveis dos moradores para o manejo e trocando informações quanto interquadras promovendo trocas de alimentos entre elas e mostrando dados gerais do bairro como produção e consumo de energia etc. é sabido que as áreas disponíveis são muito pequenas para suprir totalmente uma população tão grande, mas como um complemento na alimentação, possivelmente insumo para a confecção de produtos pouco processados como doces, geleias, chocolates artesanais no próprio bairro gerando renda para os moradores e mantendo o consumo na própria região fomentando a economia local e promovendo uma conexão maior das pessoas com a natureza e seus processos, o que comprovadamente traz benefícios diversos para a saúde e bem estar das pessoas.
As principais vias foram mantidas da previsão do plano diretor da cidade, as demais foram planejadas com desenho orgânico para diminuir o fluxo de carros no interior do bairro e não criar corredores de vento, também um desenho orgânico proporciona um ambiente mais dinâmico e surpresas ao se perceber o bairro a pé. Na transição entre as duas áreas há três praças no interior de quadras com áreas comerciais voltadas a parte interna, o gabarito dos edifícios também apresenta transição entre as áreas.
Na via principal opta-se pelo uso de fachadas ativas com comércios e serviços no térreo dos edifícios. Há três acessos ao campus, dois para carros e um para pedestres.
Na área da ocupação há uma erosão causada pela água da chuva que desce para a área mais baixa, para solucionar é proposto a uso de biovaletas para conter a água vinda do bairro São Jorge e da nova área projetada, nas quadras com agrofloresta há o projeto de desvios da água da rua para uma área de infiltração no interior da quadra onde parte será armazenada para o uso na própria agrofloresta. Também no interior das quadras haverá espaço para compostagem de lixo orgânico que irá gerar biogás e adubo orgânico concentrado e é incentivado o uso de placas solares nos edifícios para iluminação dos interiores das quadras.
A criação de um banco comunitário é uma alternativa proposta e já comprovada em outras 103 comunidades para aprofundar mais ainda a economia local e integrando a área do Élisson Prieto com a área a ser construída, isso também como parte dos estudos dos cursos de administração e economia da universidade.
Conforme o bairro se desenvolver mais assim como um organismo vivo novas demandas aparecerão e a analise tão próxima do bairro mostrará onde novas pesquisas podem ser colocadas em prática no local, e se bem-sucedidas, estendidas a outras localidades no país ou no mundo.
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Projeto de urbanismo com proposta de sistema agroflorestal nos interiores de quadras, aplicativo para gerenciamento do manejo e de trocas, entre Read More
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