No marco dos típicos blocos de rua nos verões do carnaval no Brasil, pode-se fazer uma leitura rigorosa do comportamento sociocultural da população que se concentra em multidões nos espaços públicos, e, muito mais numa festa tradicional que colapsa no país inteiro centralizando uma tradição cultural com o hedonismo fugaz brasileiro.
As altas temperaturas no primeiro trimestre de cada ano e a comemoração do carnaval fazem com que as pessoas tirem o seu jeito mais engraçado, próprio e digno da data, para ir embora às ruas fantasiando-se com um estilo ligeiro de roupas, divertido e até sensual. Essa colagem nasce como critica às pessoas que usam as vestimentas tradicionais indígenas adotando-as como próprias num contexto que apoia fantasias “divertidas” ou “interessantes”; a apropriação cultural desses elementos simbólicos específicos dos povos indígenas deixa ver o modo como a aculturação é feita despercebidamente por uma cultura dominante à uma minoria.  
O paradoxo do evento mais importante do ano é a memória que se apaga cada vez que se permite esses tipos de adaptações dos passados num país que nasceu com os povos indígenas; é importante tentar conscientizar a população sistêmica com o respeito pelos ancestrais e a história para poder preservar as próprias raízes da cultura brasileira e não ferir e discriminar aos outros brasileiros autóctones quando enxergam às grandes cidades e vem aos seus compatriotas 
fantasiando-se deles. 

*Colagem / Collage.