O Livro de Ester
Nada mais pertinente do que esta intervenção artística de Lena Bergstein no Midrash Centro Cultural. “Livros” e o trabalho que Lena desenvolve remetem para relação mágica entre texto e textura, o que no Midrash, estudo interpretativo, chamava-se de mashal e nimshal – o texto encravado em seu contexto e pretexto. No Livro mãe judaico, a pedra é esculpida porque há uma relação entre a materialidade, o meio, e a subjetividade, a essência; entre o divino que flutua e o mundano que se fixa. É a estrutura física que sustenta o sublime da mensagem, produzindo linhas para as entre-linhas. A trama das fibras sustenta a trama das visões; a gramatura a solidez do insólito que é pensar. Aí do humano se não tivesse onde gravar e imprimir, se não houvessem margens onde lastrear seus sentidos! O livro esta para o corpo como a alma esta para a mensagem. O sentido estará sempre entre o papel e a tinta, entre a tela e a imagem, naquilo que fugazmente se pode substanciar de nossa impermanência e insignificância.

Nilton Bonder
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