Fragmentos Estéticos - Livros
Fragmentos Estéticos - Livros
Rio de Janeiro
2010
“Que nexo se constitui entre o silêncio e uma narrativa de fragmentos? Em que medida o esforço de representar o silêncio dá passagem a uma forma estética particular”?
Renato Lessa


“Esse horizonte azulado que não cede lugar a nenhum primeiro plano visual, que não se desfaz quando nos aproximamos, que se estende a perder de vista...”
Walter Benjamin



Uma estética que vai operar por detalhes, sussurros, emoções, trechos de sonhos, referências e citações, numa sucessão de episódios e relatos que vão sugerir por uma grande força sintética algo que pertence a uma essência, criando assim um sentido para além de si mesmo.

Um esquema formal que vai “proceder por fragmentos” e cuja força expressiva vai se dar a ver através e entre esses fragmentos. Estética que vai sempre portar em si um espaço virtual, espaço em constante devenir; espaço, silêncio que terá e acolherá sempre outras possíveis modificações.



LIVRO

O livro para um artista é uma obra múltipla, aberta, inacabada, imagem e texto com suas formas móveis, com seus ritmos, seus espaços, onde afetos e sentimentos são levados de página em página, de uma folha para outra. As linhas se interrompem, a escrita sussurra, fala por fragmentos, por meias palavras, compõe frases, espaços, planos, riscos, numa certa ilegibilidade, onde cada página difere da outra, onde há em cada uma o desejo de se elevar à potência de uma noite de astros.

Roberto Corrêa dos Santos, poeta e professor de teoria da arte e teoria literária, escreve: “Impressionei-me com seus tocantes Livros, os frontais sobre as estruturas das paredes e os pousados cheios de vida sobre o ferro das mesas. Uma força extemporânea em todos, um fazer que, por deslocar-se do presente imediato, redefine e repõe o valor do atual – um agir com tempos muitos, iluminando a contemporaneidade nossa.”

“Tela e ficção e sonho. Enérgicos e serenos. Em todos os escritos plásticos seus, a força sacra do rito - a que mais do que a linguagem situa nossa humaneza”

Um trabalho que vai explorar a simultaneidade e a combinação dos vários suportes e dos vários campos, assinalando a pluralidade de relações que podem se estabelecer dentro e a patir de uma obra. Relatos, registros, testemunhos, cada trama se abrindo a uma outra trama como um tecido de uma longa narração.

Na simultaneidade da pintura e da escrita, da arte e da literatura, da arte e da filosofia, relações e diálogos vão se criar e habitar o corpo do trabalho. Um pensamento vivo, emocionado, presente, com o qual a artista trabalha e cria sua ficção.

Fernando Cocchiarale, escritor, curador, critico de arte, escreve: “Ao reunir, pelo gesto, escrita e cromatismo, Lena produz uma narrativa que não se consuma na leitura nem tampouco, plenamente, no âmbito visual que sobredetermina todo seu trabalho. Seu sentido poético situa-se, assim, entre a imagem e a palavra, a forma e o grafismo, sinalizando a temporalidade subjacente à pintura, invisível para a maioria de seus observadores.”

Uma poética da “écriture”; escritos impregnados de pensamentos e significação, relacionando-se com os espaços entre as frases, entre as palavras, entre as letras, no silêncio das margens, no branco da tela ou do papel. Espaçamento, “produção de espaços sem os quais os termos plenos não significariam”.

É nesse ‘intervalo’, onde nada é dito, e portanto, tudo pode se dizer, espaço de encontro e separação, limite que se rasura e se esgarça, que a inscrição poética e/ou plástica encontra sua morada.

Lena Bergstein
Espaço do Porquê
Fragmentos Estéticos
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