FANTASY -------------------------poesia)
BIBLIOGRAFIA

- A idade do espantalho – Poesia (de 1997 a 2000)
- S & M (Sem-nome & Mal-dito) – Poesia (de 1999 a 2003)
- Foto-Síntese – Poesia (2002)
- DesperdíCIO – Poesia (2003)
- Trepidação-Trepanação (ou aausência de evolução) – Poesia (2003)
(publicado em 2012 pela Chiado Editora)
- Quimicoterapia – Poesia (2004)
- CúIncidências: d2is pontos – Poesia (2005)
- Contraceptivos Contracépticos – Poesia (2005)
- cALÉMdário – 365 poemas para 365 pessoas (iniciado em 2006...)
- Sete Sonhos – Prosa poética (iniciado em 2007...)
- Manifesto Xéxé – Prosa metapoética (2008)
- Tentáculos (a história das histórias) – Prosa poética (2009)
- E por um pouco deixas de pensar – Diário de viagem (2010)
- MANICÓMIcO – Dispersos poéticos (2011)
- Com os cinco dedos de um pé - Improvisação cut-up poética (2012)
- Nightmarish - First english poetry book (2013)
- Horizontes da fenda - o último livro de poesia póstuma 
 
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www.movimento-xexe.blogspot.com
"A minha história (como já devem ter reparado) fala de neurose, suando litros de psicose social enquanto se consome em marfim e cheques caducados e refrões lânguidos de inclusão e convergência. Frente à dependência das vogais que temos face à vida, agimos como maridos distraídos e esposas frígidas, ou semáforos entre o beje, o castanho e o marrom. Onde se desleixou o atrevimento destes branquelas todos? Tanto sexo escondidinho por debaixo da doce estação que será a da renúncia à nossa morte conjunta, num longo orgiástico abraço do tamanho do inominável e eloquência de bigode por entre as ligaduras e lavagens da carne tenra talhada com a técnica que só condenados à cadeira hermética possuem. A prisão foi automatizada por gestos e afeições padronizadas que assim reagem mais rápido a situações esperadas, porque o inesperado deixou de ser, não é economicamente viável,extinto.
Regenere-se a teologia, de volta com esse mistério, gire-se à roda das trevas, rasgue-se tudo, escreva-se de novo, nunca valerei de vale dedesconto em comparação com as grandes histórias do princípio da era, mas pensam que me importo? Seja aguda ou grave aquela história de que faço arte trata duma sensibilidade postiça, dum medo artificial, de um processo duma assimetria a roçar a náusea sequiosa do dinheiro; como andorinha perdida voando em direcção à aurora sem ponto de partida ou destino almejado, seja assim como sempre foi,aos bochechos de segundo, uma analogia próxima com a da anestesia que te faz alcançar as estrelinhas que nascem longe dentro da tua luz; ao relento da comoção do quotidiano sequestrado dentro da vénia que faço a histórias que não percebo nem aceito, com daqueles contornos de gelatina fosforescente saltando histérica entre as rugas, diarreia, bronquite e virilhas do dia seguinte.
Necessário engessar na cama os ossos quitinosos dosmedrosos.

 
 
 
 

Ele é linfoma furuncular.
Ela é arauto cabalístico; jocosa glicínia com o humor dum anzol sem minhoca; crisálida leprosa ensaboando justiça sarcástica em suaslaicas cãibras de amoníaco e amêndoas; genuíno búzio ruminando sem memória atrás doutro pifo de cio; miríade de parafusos espalhados e latindo por burburinhos de jacintos perdidos; Ela é canja de cal; é história que se tem de recear Amar mais do que um só único momentâneo e indomável segundo em que seuviso se torna ídolo e mostra ao escolhido tal orquestra de orquídeas capaz de te fazer uivar e beber da sua mão aromas gostosos a ranho e pavor; é partitura molinha feita de fracções e enguias electrizantes; variada tapeçaria que se escapa sempre do teu anzol; sobe rio acima contra a corrente como víbora vestida de mosaicos na moda para a sucessão de paradigma; Ela é falácia e éordem."

in Tentáculos, 2009
 
 

Citadino selvagem decidiu queimar
Todas as suas cartas
Enredadas em eufemismos de si:
Castas articulações pós-piedade que,
Após terem esganado muitos doutos flamingos,
Dá-vos destas
Ofegantes tremuras dentro da distância
Entre bruxas e arcanjos
– oh criaturas do labor descalço
viajando na fantasia mas sempre
com o coveiro às cavalitas –
sejam sabedoria de despropósito literário
nesta batedeira part-time sobre dádivas
– concessionário de comissuras
jamais premeditadas –
verga gaga e gabarolas;
chagas derreadas à deriva
na parceria da polpa dum
alento morno e aconchegante;
com os lençóis todos descompostos como combinado
pela morbidez detantos bocados de beijos
imbecilmente inertes
– retalhos de recordações –
no abismo da juventude
outrora viciosa,
outrora moribunda,
outrora dum limão sentimental e repugnante;
como singelo tumor cor de autópsia
– peripécias do desenrasca
a anis, cobalto e crude
quando dois corpos feitos mundo
decidem diluír-se nesta história. 
 
  
 
 
 
 
Nos lábios do caos
A piscina que houve era íngreme e esquiva
– não havia bússola para além da sua ausência –
foi instrumento inoxidável nas costas
de várias lesões relutantes
– puxar o sexo para debaixo da fibra
com a cabeça entre alucinações,
como máquina delapsos
apenas feita de páginas estanques –
estreitou-se halo-missão tipo procissão
num isolamento de cobaia nojenta
de encontro a égides coma-néon
e ogivas dum encanto catastrófico
– assim visitei tais ápices
desta diálise entre répteis letais;
num hospício às postas
com seus segredos noutro colo –
nos lábios do caos.
 

 
A Encruzilhada

Só a meio do caminho decido
Que magia aplicar ao destino,
nesta rotunda entregue a nós;
melómanos de Narciso,
psiconautas de Dionísio,
acólitos de Hórus,
vagabundos de Zaratustra.

Na vossa arbitrária liberdade
tudo é premeditado pelo inconsciente
que só decide desejar
após ter sido saciado.

Entretanto espero e escrevo
como quem sonha um livro
ou queima um poema
para relembrar
as rodas do silêncio chupando na clementina
do destino.

E, ao acordar quando a noite cai,
embalado pelas grainhas da voz
o berço cheirará a mofo e
do quarto terá sido feita uma cruz.

Para ela não passa de habituação;
para mim são pesadas prestações
dum aluguer que não quero arrendar
porque adoro odiar-me
e, aplicando curativos,
dou alento a tudo o que desprezo
abrindo o lençol lunar
onde me irei embebedar de corpos
como se tudo não passasse
de outro
final
feliz.
 
 


O Estupor








































Tudo o que escrevi até hoje
 
foram asfixias infatigáveis d’agonia
(falas inconscientes para um segundo eu ler)
anomalias abjectas a tornar realidade amanhã
com direito a promessas desconcertantes 
e cruel auto-desonra, súbito de seguida.

Agora,com os versos que aqui nascem,
toda a voracidade à tangente será recusada
e, do útero do caos, emergirá recompensa...

Repudio o óbvio massificado 
e creio na individualidade universal
 capaz denunca se cansar de exorcizar
lamentoscom palpites quebrados, 
costurando acasos que inflamarão
 o brilho de cada falésia – 
como cócegas num cadáver idêntico que,
 ao mínimo , acolherá o impalpável
sem receio do seu interior absurdo.
 
Subestimo os facilitismos da fala
 que cegam e subjugam a participação
 à imposição imediatade cada confissão
 registada no dos olhos ser 
capaz de assumir e sugerir
 achaques tão díspares 
nas imperceptibilidades onde
 intenções são sentenciadas e
 desviantes espessos grupos
 finalmente deformados.
 
Tanta sílaba já vi deambular no
 secretismo da tentativa relegada 
para outro erro,porque
 fúria é fracasso que coalharás 
se te agarrares ao vexame da própria sarna.
 
Descalça a mentira e abraça a integridade
– quando sentires a sugestão constante 
irradiar-se em calafrios compreensivos, 
arremessa-te como um aperitivo 
no espeto da cobra dorsal desse licor ritual.
 
in TRepIDAçãO – TRepANAçãO (OU A AUSêNCIA De evOlUçãO)
2003
A CAMINHADA 
 
Que são palavras sem dor?
A limitada emoção dever teu novo cognome no ecrã
não se compara
ao ritmo bulímico da aceitação
deste corpo,
frágil e refeito em momentos
resistente mas cicatrizado de simbolismos,
tão perdido a tentar libertar um desejo
que possa ser seu, um objectivo
assumido.

Foram olhares que não conseguiu retribuir,
os únicos
que poderiam deslizar pela lama das formas
enregeladas mas moldáveis,
prevalecendo uno com som puro e afinado
como pardais ao amanhecer,
jovens de braços soltos
do ninho para as crostas até ao desalento.
Somos meras amoras
de tristeza banal fraca demais
para se suster sozinha
na mentira que é a nossa vida.

Sim minha senhora
quero e uso a educação para criar contraste,
num fugaz relato de veias com sangue
sem perseverança para colar as asas e voltar a contestar
a ferida, nas canadianas de angústia
é este o destino
e todos fingem amar e não sabê-lo.
As flores apontam o dedo ao fumo das secreções
pois sabe bem ser falso optimista e
rotular a morte que todos alimentamos.

É vício, ilusão inebriante atropelada de
glamour amolgado nas lajes do tempo,
todos te conhecem ese perdem em ti
ou ficam ociosas crianças no hábito de
corda ao pescoço e telecomando à mão,
afogados nos lençóis escorregadios da espera
de ver, um dia, a face idílica da epidemia
sussurando o bilhete da passagem proscrita.

Sei da condição, sinto-a a provocar-me
para a partir em pedacitos miseráveis quando assim fôr
a última forma de expressão
possível.

 
 
in Foto-síntese, 2003
Crash course on an upstairs stereotype,
The same definition as actually caring
For the definition of nihilism
Which is… Balloons!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
 
Sick suppression of a nonsense shame
Of understanding I will never
Belong anywhere
(because people adore confessions)
while priest drool
on top of the predicaments of
inverted perverted crosses
within the never ending frame of
flaws and flies.
 
The road is static.
Risk is the mission of none –
Plastic bored feast
Light microscope golden square
– hate the bloody happiness
That has the unspoiled treason
Of floating artistically
In our own vampire stare,
Face it
(the letter reads)
Scared crow
On the reflection of too much.
 
 
 
 
 
 
 Keyholes are missing but the trigger
Has been found under the moonlight
Of a lost cause – catastrophic attraction
On a sludge factory of unquenchable lust.
 
All that breathes is a game
I cannot stop but wanting to play everyday
While the bacon ovulates over
Her solar panel of debauchery.
 
Mass infliction of limits
I’d never so eagerly desired to break
Mouthful of blow from a punch line
Of where should we draw the thigh?
 
Quite a fucking sexy obscenity
Trapped in a white square of road
Leaving all disorder within a
Black and broken
Silver smashed cradle
Of yawn, issues and jerking off.
 
So insensitive what we all now are
Under this global bitter meat light
The second coming of weakness reaches
Futures not so bright
Lie down and die
Just for a while
In a paper aeroplane
Connecting such body threads
Before the beast decides to accept
That No actually meant Now!
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"A sexual orgy is the loneliest place in the world" charles bukowski
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