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    Pojeto final da disciplina de Imagem Sequencial do curso de Design Gráfico da Universidade Federal do Paraná. O zine é um trabalho coletivo dos três autores: o texto por Victor Uchoa, ilustrações por Henrique Lindner e diagramação e composição dos textos por Eduardo Zmievski. Read Less
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(En)
Final project of the discipline of Sequential Images at the Federal University of Paraná.
This book is a collective work of three authors: the text by Victor Uchoa, illustrations by Henrique Lindner and layout and composition of texts by Eduardo Zmievski.

The story is told through text and illustrations by the colors and shapes advancing increasingly abstract, as well as the thoughts of the character. Each picture is an illustration, and the whole makes up a color script study, where the color palette follows the color wheel as the course of the narrative. The composition of the text is designed to support the illustrations, in order to convey to the reader the feeling and character of memories.


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(Pt)
Pojeto final da disciplina de Imagem Sequencial do curso de Design Gráfico da Universidade Federal do Paraná. 
O zine é um trabalho coletivo dos três autores: o texto por Victor Uchoa, ilustrações por Henrique Lindner e diagramação e composição dos textos por Eduardo Zmievski.

A história é contadas através de texto e ilustrações que pelas cores e formas avançam cada vez mais abstratas, bem como os pensamentos do personagem. Cada quadro é uma ilustração, e o todo compõe um estudo de color script, onde a paleta de cores segue o círculo cromático conforme o decorrer da narrativa. A composição dos textos foi pensada para dar apoio às ilustrações, afim de transmitir ao leitor as sensações e memórias do personagem.










Eu tinha 15 anos. Meu avô ainda era vivo. Lembro-me uma vez quando havia um rato em casa. Minha avó tinha medo. Compramos um aparato de ratoeira moderna: uma fita adesiva com uma comida no centro dela para atraí-lo. Funcionou.

Nunca esqueço daquela imagem. Um bicho grande, cinzento, talvez se fosse livre eu o temeria mais do que naquele momento, mesmo que estivesse preso. Vive em mim a memória da sua impotência, da postura estática, patética, imóvel na armadilha me encarando. Meu velho levou aquela folha para rua, deixou-a perto do lixo. Coloco-me hoje no lugar do rato, tão perto do seu abrigo, morada. Mas tão fraco e inútil para escapar dali. Pergunto-me se foi sadismo do meu avô ou se uma coincidente ironia. Subitamente ele veio com um pedaço de madeira. Bastou uma leve pressão na cabeça do bicho. Um ruído medíocre. Morto. Meses depois morreu meu vô.

Alguns anos depois eu retomo essa lembrança. Algumas vezes pego-me deitado na cama observando o teto ou deitado de lado, absorto olhando o nada. Sinto a impotência percorrer minhas vontades, deitado em uma folha adesiva, mais fraco ainda do que aquele rato que prendeu-se naquela armadilha por um impulso. Nesses dias tento levantar da cama, me virar. Nada. Sinto meu corpo sugado, colado; se me levanto, sinto uma cola em minhas costas, dói; sinto inúmeras mãos me puxando de volta pro colchão, quase como se ele e eu fôssemos um, e dali eu jamais sairei.

O tempo passa, os dias correrem. Continuo inútil. Outros dias, se eu consigo me levantar, ainda sinto nas cadeiras, poltronas, sofás, bancos... todos com essa cola da impotência. Nesses dias, me sinto igual aquele rato derrotado e desistente, esperando um velho vir com seu bastão de madeira ao meu encontro. (Seria o tempo? Seria meu vô?) Fico ali definhando esperando seu cajado me acertar e dar fim aos meus dias. Mas sinto que ele nunca virá, e eu continuarei aqui, preso comigo mesmo, sem meu vô, sem o rato, sem ninguém... Mas eu continuo esperando...


Victor Uchoa