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Como criei um produto de passagens aéreas em 1 mês
Criar um produto de ponta a ponta tem seus desafios, especialmente se o tempo não está a seu favor. Nós temos que unir diversas habilidades para chegar em uma entrega de real valor, e às vezes algumas concessões devem ser feitas.

Meu desafio aqui foi criar um produto para que usuários de uma plataforma fechada (Ferias & Co.) pudessem reservar passagens aéreas com créditos pré-pagos pela empresa em que ele trabalha (um benefício que é uma espécie de “Gympass para viagens”).

Nós já possuíamos um produto de reservas de hospedagens lançado recentemente, mas havia grande necessidade de completarmos a experiência de viagens com as passagens aéreas. Era um segundo passo para o benefício tornar-se uma grande plataforma de viagens.

Eu tinha duas barreiras: pouco tempo e poucos usuários do produto já lançado. As reservas de hospedagens haviam sido lançadas há pouquíssimos dias.

Organizando as entregas 

É perfeito quando temos tempo para trabalhar by the book, como o Design Thinking manda, mas o mercado nem sempre dá essa oportunidade e por isso eu precisava entregar a melhor experiência com o tempo que eu tinha. 

Colocar o usuário no centro é a base de tudo, mas as entrevistas e testes de usabilidade da forma ideal seriam a parte que mais demandariam tempo. Então tive que pensar de forma mais lean. A solução que encontrei de continuar mantendo o usuário no centro indo a fundo no Discovery, foi através de benchmark, com critiques e usar um recurso que eu tinha a meu favor: acesso a pessoas com anos de experiência em turismo e passagens aéreas, já que embora a startup fosse nova, ela estava em um guarda-chuva de uma empresa maior, com 30 anos no mercado de turismo.

O Benchmark foi feito usando as maiores empresas brasileiras e mundiais como referência, mapeando fluxos e encontrando tudo que elas tinham em comum. Juntos a isso comecei também a mapear seus componentes para cada etapa do fluxo. Eu iria precisar disso na hora de começar a construir os wireframes e telas de alta fidelidade. O trabalho foi exaustivo, mas eu tinha um braço direito, uma UI que eu liderava e que me ajudou muito a pensar nas melhores soluções. 
Parte do Benchmark feito com os principais concorrentes.
As regras do mercado de passagens aéreas

Antes de começar esse projeto eu já tinha montado duas proto-personas, com base em uma pesquisa que fiz, e que serviriam para mais de um produto. E antes mesmo do benchmark eu já havia rascunhado uma user story e duas Pixar Storytellings com base em cada persona. Digo rascunhado porque eu tive a liberdade de no meio do processo revisá-las.
Um dos Pixar Storytelling.
Meu próximo passo era entender como funcionava esse mundo das reservas de passagens aéreas. Um dos stakeholders já havia trabalhado em produtos similares e tive acesso a mais profissionais com muita bagagem. Eles foram essenciais para eu descobrir a complexidade das regras de negócio e que eu tinha que pensar em um mundo de possibilidades e cenários para uma simples reserva de passagem.

Para isso criei um mapa mental que me ajudou a organizar todas essas informações. Era um mundo novo para mim e eu queria sair de todas essas entrevistas e alinhamentos com o máximo de clareza de como tudo isso funcionava. Por sorte, na época eu não tive muitas interferências de outros projetos que estavam rolando e consegui focar nisso! 
Mapa mental de regras. Algumas informações são confidenciais.
Com esse mapa em mãos eu comecei outro mapa,  já que é um formato que me agrada e me ajuda a organizar uma lógica mas agora para todas as informações que eu teria que mostrar em tela.
Mapa mental para UI. Algumas informações são confidenciais.
A jornada do usuário

Talvez o momento de montar uma jornada do usuário seja bem no começo, mas eu senti a necessidade de entender o universo de passagens aéreas, porque as regras de negócio iriam influenciar nessa jornada.

Com o benchmark completo, com as referências de mercado que eu precisava, e entendendo bem todas as regras, comecei então a montar a jornada do usuário. As dores já mapeadas pela empresa-mãe ao longo desses anos também colaboraram para eu construir uma jornada sólida e realista para o lançamento do produto. Eu tinha consciência de que nada aqui estava escrito em pedra, mas com o tempo que eu tinha eu precisava usar tudo que tinha em mãos para entregar o melhor produto ao usuário. E no futuro eu poderia propor melhorias de acordo com os resultados do produto em produção.
Jornada do usuário.
Fluxo e telas

Nesse caminho eu entendi que a V1 do produto deveria ter muitos sacrifícios. Muitos recursos que grandes players do mercado ofereciam eu tive que deixar para uma segunda entrega. Então criei o mínimo viável, embora eu não chamasse de MVP mas sim de V1, já que seria um produto 100% funcional e automatizado, mas que ainda teria um longo caminho de upgrades futuros.

Estar em uma plataforma fechada me permitiu criar um fluxo mais simples que de outras plataformas, sem gatilhos mentais durante a navegação, já que não precisaria instigar o senso de urgência ou compra por impulso. A plataforma trabalha com créditos pré-pagos e não era ainda o momento de usar esses gatilhos, o que me permitiu criar um design mais limpo e com foco no que era realmente importante ao usuário. Nenhum tipo de dark pattern ou nada que atrapalhasse a usabilidade.

Fluxo de reserva e cancelamento.
Criamos então os wireframes, juntando o que decidimos serem os melhores componentes utilizados pelos principais concorrentes como  Decolar, E-Destinos, Gol, Kayak entre outros.

Wireframes mobiles.
Como acredito que testes de usabilidade são fundamentais,esmo sem usuários reais, fiz testes usando os wireframes com conhecidos e com alguns colegas de trabalho. Não é o ideal, mas é melhor que não testar.

Com os insights dos testes, começamos a criar as telas de alta fidelidade, usando nosso – ainda embrionário – Design System.

Construção das telas em alta fidelidade (desktop).
Sitemap e roadmap

Como seria um produto dentro de uma plataforma já existente, foi necessário ampliar o sitemap e mapear todas as telas existentes e que seriam impactadas com o novo produto, como por exemplo a tela de “Minhas reservas”, que já existia para que o usuário pudesse conferir os detalhes das reservas de hospedagens atuais e passadas e que agora também serviria para conferir as reservas de passagens aéreas.

Sitemap com destaque para as telas novas e já existentes que seriam impactadas.
Com todos esses entregáveis em mãos, pude também colaborar com a construção do roadmap e mapeamento de todas as features que cada squad seria responsável.

Este foi um dos produtos em que trabalhei que tenho mais orgulho. Embora não tivesse o tempo para seguir um processo ideal, eu acredito que tenha conseguido entregar o melhor produto que pude no tempo que eu tinha. Depois que o produto entrou em produção, pude continuar acompanhando e propondo melhorias, agora sim, com usuários reais me indicando os caminhos que o fluxo deveria seguir para ficar cada vez melhor.

Confira o protótipo do fluxo de reserva (desktop):
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Fábio Martiniano

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