Identidade visual do curta-metragem "O Caso Letícia"
Escrito e produzido pelo músico e cineasta Beto Strada, “O caso Letícia” é um curta metragem baseado em fatos reais. Classificado pelo próprio autor como sendo um drama sensual, conta a história de Letícia, interpretada pela atriz Nelly Trindade, uma mulher solitária e depressiva que sofreu de problemas com o pai na infância e que faz terapia há cinco anos com o Dr. Carlos, interpretado pelo ator Flávio Galvão, um médico seguidor da linha Freudiana da Psicanalise, cheio de princípios, mas que vive uma vida monótona com sua esposa. Tudo começa quando, ao chegar em casa a noite, Dr. Carlos recebe uma ligação inesperada de Letícia, que ameaça se suicidar. A historia trata-se de um caso conhecido pela psicanálise como Teoria de Transferência Erótica, quando, durante o tratamento, o (a) paciente julga acreditar estar apaixonado (a) pelo seu médico. No caso de Letícia, durante tal ligação, revela que descobre o numero de celular e o endereço do Dr. Carlos sozinha, além de demonstrar momentos de profunda tristeza, melancolia e até mesmo um pouco de insanidade, aliado a uma forte sensualidade e desejo de sedução em relação ao médico.
O objetivo do trabalho é desenvolver a identidade visual do filme, seguido de pôster, folder, DVD (capa e label) e camiseta. Dessa forma, criou-se a problemática: como transferir o clima de melancolia e tristeza aliado ao forte clima de sensualidade e erotismo que o roteiro propõe para tais peças gráficas e fazer com que o mesmo chame atenção do público? Pensando nisso, concluiu-se que a melhor forma de se transmitir tal mensagem seria com base em montagem fotográfica, com uso de programas vetoriais e de edição de imagens (Ilustrator, Corel Draw e Photoshop). A intenção e desafio é utilizar de elementos que sugerem de maneira inconsciente para quem vê todo esse clima de erotismo, sensualidade e melancolia, de maneira que tais elementos chamem a atenção e desperte a curiosidade sem que seja necessário evidenciar de maneira explicita algum elemento na composição. 


Foram traçadas linhas que formam o grid de informações, de maneira que tanto o fundo quanto o símbolo, o lettering e toda parte textual da peça se equilibrassem, formando unidade
O contraste de luz e tom sugere que a personagem está em um ambiente escuro ou mal iluminado, fazendo referência ao ambiente em que a personagem se encontra no curta, no caso sua sala, diferente do ambiente do Dr. Carlos, que aparece em cenas mais bem iluminadas. Tal contraste facilita a percepção de volume das formas da silhueta, mesmo estando desfocada. Não é intenção de que a forma da silhueta, próxima ao cartaz, seja percebida à primeira vista, devido às dimensões serem maiores que das outras peças gráficas, porém, nada impede que a silhueta seja percebida de longe. As cores do plano de fundo são cores frias, com gradação tonal que vai do ciano ao preto, ao contrário da cor  utilizada no símbolo, que é vermelho, e o lettering desenvolvido, que é vermelho e branco. Apesar de facilmente associado à harmonia e equilíbrio, quando inserida no senso comum, a cor ciano possui uma saturação de cerca de um terço da sua cor matiz, e, aliado ao preto, torna-se um pouco mais escura e cria um clima mais melancólico, mas com certo feminismo no cartaz.
A forma da silhueta feminina, apesar de ser uma imagem desfocada e quase totalmente opaca, forma uma das unidades de representação do lado sensual no roteiro do curta, gerando um clima de mistério, como se fosse à visão de uma moça em um quarto escuro, onde a falta de iluminação gera tal clima de sensualidade; não sabendo o que pode acontecer. Outro elemento representativo de sensualidade é a cor vermelha, geralmente relacionada ao amor e a paixão em alguns casos. Utilizada no lettering do nome “Letícia” e no símbolo da psicanálise no centro do cartaz, com o intuito de se fazer uma ligação das intenções afetivo-sexuais da personagem em relação ao seu médico. A forma do desenho do lettering também representa isso de forma subliminar, pois a palavra “O Caso” - desenhada utilizando fontes geométricas em caixa altas representando o lado de seriedade e profissionalismo do personagem Dr. Carlos - é envolvida pela letra ‘‘L’’ do nome Letícia, evidenciando a intenção de envolvimento da personagem. O símbolo PSI é uma letra grega em forma de tridente que simboliza a psicanálise. Tal símbolo é a representação do personagem Dr. Carlos, que é o protagonista principal do curta. Exatamente por isso o símbolo se localiza ao centro do cartaz, em vermelho de matiz 358°, com saturação em torno de 85% e brilho de 70% (C15 M100 Y100 K20), de uma maneira que possa evidenciar e criar contraste com o fundo em tons frios, dando um destaque maior e direcionando o foco da visão diretamente para o símbolo. Isso desperta a curiosidade acerca de seu significado, inserido na peça para quem o vê.
O símbolo recebeu uma leve abstração de sua forma original, sendo que a haste central é menos encorpada. Por isso foi excluída completamente a serifa da base da haste. Também foi adicionado uma semi-serifa ao topo da haste. Ainda sobre o símbolo, sua localização estratégica na peça faz referência, de maneira subliminar, ao órgão sexual feminino
Tabela de cor
A escolha das tipografias usadas na identidade visual do curta O CASO LETICIA busca abordar características dos personagens nos tipos usados. Essa estrutura foi construída a partir da criação de Lettering, ou seja, é um desenho manual de letras com a intencionalidade de explorar aspectos expressivos intrínsecos ao caractere, dando expressões às unidades textuais. A oração O CASO recebe uma tipografia linear geométrica, ou seja, construída a partir de formas geométricas básicas. A mensagem passada pelo uso desse tipo é: o doutor, um homem correto, que tenta transparecer seriedade e uma imagem correta sem desvios. A palavra LETICIA recebe um tipo manuscrito, que imita a escrita convencional. Abordou-se esse tipo colocando-se curvas mais arredondadas para simular as curvas do corpo feminino, passando a mensagem de sensualidade que está presente no filme.
Usou-se a letra L da palavra LETÍCIA entrelaçada à oração O CASO para dar a sensação do desejo íntimo que ela possui em relação ao médico.
Esse projeto de pesquisa de construção da identidade visual para o curta metragem “O caso Letícia” veio a partir de uma dúvida de como apresentar o clima de melancolia e sensualidade ligado ao tema da psicologia presentes no filme e fazer com que o mesmo chame atenção do público.
Tentamos constituir uma composição que tornasse as formas apresentadas nas peças um pouco subjetivas e que não agredissem de uma forma muito erótica e vulgar a percepção das pessoas que o vissem. Instigar a curiosidade da mente humana foi nosso maior desafio, já que a silhueta da peça gráfica não está tão evidente, atiçando o subconsciente juntamente com o símbolo do Psi e a tipografia feita em lettering.

A tipografia por si só, define o clima de desejo que a personagem Letícia tem pelo seu médico o Dr. Carlos pelo fato da haste da letra L estar “agarrando” a letra O da oração O Caso que caracteriza o personagem principal que é o Doutor. As palavras O Caso representando uma figura séria e sem imperfeições por ser um tipo linear geométrico, papel transmitido pelo psicanalista e a palavra Letícia, um tipo manuscrito com varias curvas que nos fazem assimilar à curvas do corpo feminino representado pela personagem paciente Letícia.

As cores ciano e vermelho entram em complementaridade igualmente com as cores preto e branco existentes na peça gráfica, mostrando perfeito equilíbrio na composição. As formas grandes e pequenas como a silhueta e o símbolo existentes também nos fazem olhar de fora pra dentro mostrando um sinal de objeto estático e chamando atenção para o centro do cartaz, por exemplo, onde se encontra a matéria que identifica o personagem principal, o Psi.
As ferramentas de vetorização e de tratamento de imagem digital CorelDraw e Photoshop foram muito importantes para concluímos nossa identidade. Com as técnicas empíricas que cada integrante carregava, pudemos nos desenrolar e concretizar o trabalho de uma maneira impecável. 

As técnicas de estilização, sutileza e difusão compostas por desenho manual, foi outro diferencial que nos fortaleceu a compor desenhos para que a partir destes, fossem criados as primeiras ideias de desenvolvimento visual.

A seguir, peças gráficas que compõe o arcevo da identidade visual do Curta metragem “O caso letícia”.
Digipack para o DVD
Folder 22x 32 cm (dentro do digipack)
Segunda opção de digipack para o DVD.
Folder alternativo. 18,5 x 24 cm
Label do DVD.
Identidade visual do curta-metragem "O Caso Letícia"
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Identidade visual do curta-metragem "O Caso Letícia"

Essa pesquisa iniciou-se a partir de uma dúvida: tentar passar o clima de melancolia e sensualidade junto ao tema da psicologia Freudiana contida Read more
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