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Fazenda Urbana | Recife, PE

Trabalho de conclusão de curso
No ano de 2010, a população humana excedeu sete bilhões e a projeção, segundo a OMS e o Population Council, é que, até o ano de 2050, atingiremos o número de 8.6 bilhões, dos quais 80% habitará em centros urbanos. Este cenário de crescente urbanização traz consigo um aumento considerável na provisão de serviços e infraestrutura, além da demanda por energia e alimentação. No Brasil, a complexa estrutura fundiária tem suas origens em um modelo agrário-exportador adotado desde sua colonização, sendo, ainda hoje, sinônimo de conflito. A robustez do agronegócio em detrimento da agricultura familiar, o oscilante cenário das mudanças climáticas e a imprescindibilidade do combustível fóssil colocam em xeque a segurança alimentar do País. Além destes, o crescente desmatamento e o uso excessivo da água colaboram para a tese de que a agricultura em solo não é uma solução sustentável a longo prazo, quando em vista as necessidades energéticas da população. Isto posto, algo radicalmente disruptivo seria necessário para permitir a produção em larga escala, particularmente se dentro dos limites urbanos.

    Em “The Vertical Farm - Feeding the world in the 21st century”, o professor emérito de microbiologia e saúde pública na Universidade de Columbia Dickson Despommier propõe a construção de uma ecocity a partir de conceitos da ecologia como bioprodutividade, sistemas cíclicos e reaproveitamento de resíduos. A pedra angular desse ecossistema urbano seria a fazenda urbana — um edifício de múltiplos pavimentos, especialmente construído e dedicado ao cultivo de colheitas alimentares a partir da agricultura de ambiente interno controlado e métodos que não dependam do solo, como hidroponia, aeroponia e irrigação por gotejamento.​​​​​​​
A área perimetral da construção, vez que recebe maior radiação solar, foi destinada à produção aberta em canteiros elevados, adotando o sistema de irrigação por gotejamento. Enquanto as mais regiões mais "profundas" recebem a luz filtrada por painéis de policarbonato na cor magenta. Os estudos de caso mais recentes nas fazendas urbanas que vem sendo implantadas ao redor do mundo mostram que a luz magenta é a melhor aproveitada pelo mecanismo vegetal, chegando a potencializar o crescimento em relação à luz branca. Outrossim, no período noturno, visando um ciclo de 24 horas/dia, os laboratórios de produção em ambiente controlado, são iluminados por painéis de LED (Light-Emitting Diode) em frequências de azul e vermelho. ​​​​​​​
O volume torcido do edifício é resultante de processos de design evolutivo [Galapagos + Grasshopper], de forma a otimizar o aproveitamento dos paramêtros urbanistícos e da radiação solar direta sobre as lâminas durante todo o ano [Ladybug + Grasshopper + Base de dados climáticos da cidade do Recife (2006) por Inmetro], vez que a relação benéfica entre o desenvolvimento das culturas e a incidiência solar foi tomada como diretriz do projeto. 
Fazenda Urbana | Recife, PE
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