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Portugal ♥ #3

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  • Miguel Torga dizia que «em qualquer aventura, o que importa é partir, não é chegar». Mas quando nada se aprende com o caminho percorrido e não se chega ao objectivo proposto, de que serve navegá-lo?
    Porque a «vaidade», pronunciada pelo Velho do Restelo de Camões, não é quanto baste para o comandante levar o navio a bom porto e com ele marinheiros apinhados e crentes nas suas palavras. Junte-se a incompetência à simples busca pela «Fama e Glória», mais a cegueira para perigos anunciados, e temos ingredientes quêbê para a Desgraça.

    Assim, no "Mar de Rosas" prometido sobressaem os espinhos que se entranham na pele, ao invés do bom perfume das flores. Avista-se agora de perto a «figura (...) robusta e válida, de disforme e grandíssima estatura; o rosto carregado, a barba esquálida, os olhos encovados, e a postura medonha e má, e a cor terrena e pálida; cheios de terra e crespos os cabelos, a boca negra, os dentes amarelos».
    O Adamastor «se nos mostra no ar», ao contrário de um país capaz de dobrar o Cabo das Tormentas, e o triste "Nevoeiro" anunciado por Pessoa se torna evidente: «Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro. Ó Portugal, hoje és nevoeiro...»

    Alexandre Ferreira

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    Montra por Mariana, a Miserável
    Fotografia Alexandre Delmar
    www.whitestudio.pt