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MAR | NOVO CENTRO ADMINISTRATIVO DO MARANHÃO

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  • MAR | NOVO CENTRO ADMINISTRATIVO DO MARANHÃO
    SÃO LUIS, MARANHÃO, BRASIL | 2013
    ★ MENCIÓN HONROSA EN CONCURSO NACIONAL BRASIL
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    COMPLEXIDADE ESTIMULANTE
     
    Nos deparamos com um complexo cenário que apresenta múltiplas condições negativas e estas, entendidas como oportunidades, podem ser definidas como definições de partido para a nova proposta gerada.
     
    O entorno é rodeado por amplas avenidas expressas que fazem parte de um tecido urbano rarefeito. As edificações existentes estão entendidas como instituições autônomas e dispersas.
    A vegetação nativa da área foi devastada, gerando um árido espaço "terrain vague" ocupado por estacionamentos que se dispõem sem ordem aparente. Definitivamente, trata-se de um lugar em busca de identidade.
    Dado o caráter do problema, fica evidente que a resposta deve ser estratégica. Por isso, trata-se de uma proposta que tenta evidenciar as relações, pela capacidade de gerar transversalidades e cruzamentos, combinações e transferências com os próprios processos do amplo programa, da grande escala e do singular entorno.
     
    TRÊS ÁREAS DE OPORTUNIDADE:
     
    1. A relação com o entorno: A oportunidade do sintético e do cinético.
    Seria artificial demais costurar relações com o entorno, ou mesmo com a rua, da mesma maneira que se faz nos centros consolidados. Aqui tudo é disperso, distante, é um lugar de deslocamentos rápidos e de indefinição. Aqui, não se busca a referência urbana; ela é criada.
     
    Neste contexto urbano incerto propomos sintetizar em um conjunto arquitetônico, as necessidades de programa. Atualmente, a sua linguagem formal - complexa e articulada, não consegue refletir o caráter das instituições que abriga. Mais que exibir a individualidade dos seus componentes - propomos uma entidade plena e contundente, sintética, que impulsa sinergias condensadas em um único artefato visualmente simples. 
    A aproximação revela uma realidade mais complexa e detalhada, as fachadas revelam-se como planos texturizados, contínuos; onde as ausências de matéria marcam os acessos.
    A entidade é percebida como um objeto cinético, que muda sua aparência conforme variam as distâncias e a velocidade das avenidas circundantes.
     
    2. A intenção reativadora: A oportunidade no existente.
    Os prédios existentes são percebidos como estruturas pesadas e opacas, com grandes panos envidraçados e demasiada dependência do ar condicionado. Surgiram de uma série de estratégias importadas de outras realidades que não comportam o clima local; tropical, quente e úmido.
     
    É preciso incorporar soluções de condicionamento passivo muito mais pertinentes para a região.
    Se estabelecem operações que permitem gerar novas condições de uso dos prédios existentes; perfurar, vazar, desvelar, re-usar.
    Estas operações definem superfícies, espaços livres, onde se aproveita a área disponível, reutilizando os espaços existentes quase em totalidade. 
    A nova volumetria, encontra a melhor posição no espaço vacante, em uma combinação engenhosa e dialogada com as edificações reativadas.
     
    3. O espaço público induzido: A oportunidade no vazio intenso.
    O projeto propõe um “espaço relacional” de escala urbana com usos múltiplos e simultâneos, de caráter interior-exterior, aberto a novas e futuras configurações, intenso e diverso, uma verdadeira rua interna. Um cenário percebido como manifestação múltipla e heterogênea do espaço coletivo.
     
    Torna-se passeio, cruzamento,  praça, local de encontro e de exposições, é o espaço que integra as atividades que geram os acessos dos principais programas. Uma infiltração de espaço coletivo.
     
    A CONSTRUÇÃO DA HIPÓTESE
     
    A situação inicial do presente tema obriga a analisar o objeto construído em múltiplas camadas, como dado relevante sobre a proposta de intervenção. Visto que neste edifício não se identificam elementos significativos para a sua conservação e assumindo uma capacidade de transformação - se injeta um segundo ciclo de vida dentro de sua estrutura modular - a qual goza de bom estado de conservação, potencializando suas qualidades e forças, adaptando-as aos novos usos programáticos.
     
    Trabalhamos em conjunto; negociando, articulando e vinculando o útil do existente (estrutura e lajes) com as novas construções, suprindo as exigências programáticas atuais.
     
    Neste sentido, opera-se segundo as seguintes etapas:
     
    01. GERAR UM ESPAÇO DE OPORTUNIDADES
    Frente a premissa de restringir a relocação de pessoal durante a obra, a intervenção tem início com trabalhos nas estruturas mais precárias e debilitadas. Desta maneira, é gerado um espaço de oportunidades.
     
    02. CONSTRUINDO O NOVO
    Propõe-se a construção de três novos edifícios, seguindo as faixas programáticas do plano diretor do projeto. As novas estruturas serão metálicas e as lajes executadas no sistema steel deck. Os novos edifícios tomam alguns dados geométricos e altimétricos dos existentes, logo se convertendo um conjunto indissociável.
    Brises horizontais ao norte e sul esfriam as fachadas protegendo os interiores das edificações do sol intenso. As fachadas leste e oeste serão tratadas como uma pele executada com grelhas eletrofundidas - gerando a leitura de planos contínuos.
     
    03. REVELAR O ESSENCIAL
    A massa edificada existente se observa potente em sua claridade estrutural, mas deteriorada em virtude da falta de manutenção. Sua volumetria heterogênea e complexa sofrerá intervenção, retificando sua geometria.
    A proposta tentará resgatar o potencial estrutural de sua planta livre latente.
    Parte dos funcionários será relocada para os novos edifícios, liberando assim os prédios existentes para que sejam interferidos. Eliminam-se totalmente as paredes de alvenaria, assim como os elementos de circulação vertical, instalações elétricas e sanitárias.
    Retiram-se os apliques superficiais de terminações, limpando a estrutura de todo elemento acrescentado e deixando exposto o esqueleto de pilares e lajes em estado puro.
    Ao completar-se esta etapa, teremos gerado uma unidade idílica entre o existente e o novo.
     
    04. A CRIAÇÃO DE UM LUGAR
    Como conclusão, o complexo adquiri seu espaço de representação fundamental. Um vazio na extensão completa do edifício apresenta-se como uma promenade, um passeio de alta capacidade conectora, uma rua interna.
    Trata-se de um elemento de dimensões urbanas (150m de comprimento e 16m de largura) definido pelo afastamento intencional entre as edificações. Este espaço fundamental, que por contradição é externo, destina-se a circulação e expansão dos programas públicos e de convívio, que por sua natureza gregária e de interesse comum a todos os usuários, formam a sua base espacial e programática. Uma grande marquise longitudinal permite o uso deste espaço resguardando o pedestre das condições climáticas típicas da região.
  • StudioParalelo + MAAM
     
    Socios/Sócios: Luciano Andrades, Matías Carballal, Rochelle Castro, Andrés Gobba, Mauricio López, Silvio Machado.
     
    Equipo de proyecto / Equipe de projeto: Guillermo Acosta, Alexis Arbelo, Pablo Courreges, Pamela Davyt, Emiliano Lago, Felipe Lessa, Aldo Lanzi, Jaqueline Lessa, Isabella Madureira, Diego Morera, Camilla Pereira, Mauricio Wood.
     
    Renders: MAAMMEDIA + MASA
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